5 motivos para investir em ações e construir patrimônio em longo prazo

Por Redação Onze

O que significa investir em ações?

Investir em ações significa comprar frações do capital social de empresas, ganhando o direito de participação na sociedade do negócio. Logo, a ação é o título que torna você sócio de uma empresa, garantindo também o direito (ainda que indireto) sobre ativos e resultados financeiros.

Ao aplicar dinheiro na empresa e tornar-se um acionista, você passa a participar dos resultados do negócio — sejam bons ou ruins. Obviamente, os investidores compram ações com base no retorno e escolhem empresas com maior potencial de sucesso, utilizando como principal critério a valorização dos papéis.

Do ponto de vista financeiro, quem investe em ações assume um risco parecido com o do empreendedor que abre seu negócio: se a empresa for bem, o retorno pode ser igual ou superior ao esperado. Mas, se a empresa for mal, o investidor pode ter prejuízos e perder uma parte ou todo o capital investido.

Essa incerteza quanto à rentabilidade do investimento coloca as ações na classe de ativos denominada renda variável. Ao contrário da renda fixa, em que a rentabilidade é conhecida no momento da aplicação (taxa de juros pré-especificada), a renda variável abrange ativos sujeitos à volatilidade como ações e câmbio.

Como se ganha dinheiro com ações?

Ao investir em ações, você tem duas principais formas de ganhar dinheiro:

  • Ganho de capital: é a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra de uma ação (ou seja, quando a ação se valoriza e sobe de preço)
  • Proventos: são formas de remuneração variável que incluem dividendos, juros sobre capital próprio e bonificações.

Os ganhos de capital, por exemplo, podem ser muito maiores do que a rentabilidade usual dos títulos de renda fixa e permitem ao investidor construir um patrimônio sólido em longo prazo. Já os dividendos são uma parte do lucro líquido da empresa que pode ser distribuída entre os acionistas (ou retida para financiar seu crescimento), de forma proporcional à quantidade de ações.

Quem pode investir em ações?

Qualquer pessoa jurídica ou física pode investir em ações, seja de forma direta e individual (por meio de corretoras) ou comprando cotas de fundos de investimento focados em renda variável. Para você ter uma ideia da participação de investidores no mercado de ações, a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) registrou o recorde de 2,24 milhões de pessoas físicas registradas em março de 2020, conforme dados publicados no Valor Investe.

No entanto, esse número corresponde a pouco mais de 1% da população brasileira (210 milhões em 2020), o que é um número muito baixo se compararmos com a realidade de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, metade das pessoas físicas investem na bolsa, enquanto na Europa e Ásia a proporção varia entre 20% e 30% da população, segundo dados publicados no Uol em 2019.

Por que as ações estão mais atrativas para os brasileiros?

O aumento do interesse e participação dos brasileiros na bolsa é explicado por vários fatores, principalmente:

  • Queda contínua da Taxa Selic (taxa de juros básica da economia), que reduz a rentabilidade da renda fixa e atrai o investidor para a renda variável
  • Campanhas de marketing da própria B3 mirando os pequenos investidores
  • Melhora na educação financeira e acesso à informação sobre o mercado de ações.

No entanto, ainda há um longo caminho pela frente para mudar a cultura de investimento do brasileiro e massificar a participação na bolsa de valores. Isso porque a renda variável exige conhecimento sobre a dinâmica do mercado, maior tolerância ao risco e capacidade de lidar com as oscilações e incertezas —  e o brasileiro está dando seus primeiros passos fora da zona de conforto da renda fixa.

Como funciona o investimento em ações?

O principal ambiente de negociação das ações no Brasil é a B3 (fusão entre as antigas Bovespa, BM&F e Cetip), onde os investidores podem comprar e vender papéis livremente. Seu papel é atuar como uma instituição de intermediação que realiza listagens de ações, registro, compensação e liquidação de compras e vendas, criando regras e sistemas para garantir a transparência e liquidez do mercado.

O horário de funcionamento do pregão da bolsa é das 10h às 17h, com um período de After Market das 17h30 às 18h. Nesse período, os investidores podem comprar e vender ações, opções de ações, cotas de fundos de investimentos e ETFs (Exchange Traded Funds).

Para começar a investir em ações, você deve abrir uma conta em uma corretora de valores habilitada, que será responsável por executar suas ordens de compra e venda de ativos na bolsa. A vantagem é que todo o processo pode ser realizado pela internet, por meio dos sistemas de home broker, que permitem a negociação online em tempo real.

Quais são as principais estratégias de investimento em ações?

Há duas principais estratégias para investir em ações: em curto prazo e em longo prazo. Enquanto a primeira mira em ganhos rápidos e estratégias especulativas, a segunda tem o objetivo de construir patrimônio em longo prazo e compor uma carteira sólida.

Não é preciso ter muita experiência com investimentos para entender que as táticas de curto prazo são as mais arriscadas, como o famoso “day trade”, que consiste na compra e venda de ações em um mesmo dia para lucrar com a diferença de preço. Na contramão da especulação, estão os investidores que buscam formas consistentes de enriquecimento na bolsa, preferindo adquirir ações de empresas com resultados perenes e gestão confiável.

Não à toa, alguns dos investidores mais bem-sucedidos do mundo usam estratégias de longo prazo, como o bilionário Warren Buffett, que defende os seguintes métodos:

  • Análise fundamentalista: é a análise que leva em conta os fundamentos do negócio, partindo de demonstrativos contábeis, qualidade da gestão e fatores macro e microeconômicos para determinar as ações mais promissoras (ao contrário da análise técnica, que leva em conta gráficos e movimentos do mercado)
  • Value Investing: é uma estratégia que busca determinar o valor intrínseco da ação, usando a análise fundamentalista para identificar ações subavaliadas e com alto potencial de valorização para incluir na carteira
  • Buy and Hold: é a tática oficial de Buffett, que consiste em comprar ações de empresas sólidas e segurá-las pelo máximo de tempo possível, para que atinjam todo o seu potencial de valorização e gerem mais retorno em longo prazo.

Como o próprio Warren Buffett diz, “quando você compra uma ação, está comprando uma parte de um negócio, e não algo que flutua em um gráfico ou pode ser medido por zonas de preço e médias móveis de 200 dias”. Em entrevista ao Yahoo Finance em 2020, ele defende o investimento em ações de empresas “extraordinárias” que podem trazer grandes retornos em longo prazo.

5 motivos para investir em ações em longo prazo

Agora que você sabe o básico sobre a bolsa, precisa conhecer as vantagens de investir em ações com uma perspectiva de longo prazo.

Confira alguns motivos para enxergar mais longe.

1. Os retornos são superiores

O maior potencial de ganho em ações está no longo prazo, pois o tempo é aliado da renda variável. Um bom exemplo é a bolsa de valores de Nova Iorque (NYSE), que mesmo com crises históricas como a Grande Depressão, Segunda-feira Negra e Crise do Subprime conseguiu se manter lucrativa na série histórica do S&P 500 (média de ganhos de 9,5% ao ano entre 1928 e 2015, segundo a Investopedia).

Já o Ibovespa (principal índice da bolsa) avançou 47% entre 2011 e 2019, mas algumas ações valorizaram ainda mais, como as da rede Magazina Luiza, que cresceram impressionantes 1.000% no mesmo período, segundo dados da B3 publicados no Uol.  Além disso, você pode ter rendimentos contínuos com as ações que pagam dividendos, podendo ainda reinvestir esses proventos para ampliar ainda mais seu patrimônio.

2. Minimiza os riscos da renda variável

Investir em ações de olho no longo prazo é a melhor estratégia para proteger seu capital das oscilações desses ativos e reduzir os riscos de prejuízo. Isso porque não é raro que as ações despenquem 10% ou 20% de uma só vez no curto prazo, principalmente em momentos de crise econômica.

Quando você investe em longo prazo, dá tempo ao mercado para se recuperar das baixas e evita vender suas ações no pior momento possível. Dessa forma, as quedas são facilmente compensadas pelos períodos de valorização e o saldo final é positivo para o investidor.

3. Está mais fácil e acessível que nunca

Hoje, qualquer pessoa pode começar a investir na bolsa sem sair de casa e com pouco dinheiro. Basta abrir uma conta em uma corretora (em muitas, o processo é 100% online), transferir dinheiro e começar a comprar e vender papéis pelo home broker.

Mas é claro que o caminho mais seguro é investir em educação financeira e conhecer muito bem o mercado antes de aplicar seu dinheiro em ações. Por sorte, também não faltam informações e conteúdos gratuitos sobre ações disponíveis online, além das próprias carteiras recomendadas das corretoras e cobertura da mídia.

4. Melhora seu controle emocional

Ao investir em ações em longo prazo, você melhora seu controle emocional e evita as armadilhas mais comuns que levam ao prejuízo na bolsa. Influenciados por momentos de pânico no mercado, crises e conselhos de terceiros, muitos investidores tomam decisões por impulso e acabam perdendo dinheiro.

Já quem investe em longo prazo entende que as quedas são passageiras e mantém seus ativos nos momentos mais críticos, priorizando sempre as decisões racionais e a visão estratégica.

5. Ajuda a diversificar sua carteira

Por fim, comprar ações com perspectiva de longo prazo é uma forma inteligente de diversificar sua carteira para preservar e maximizar seu patrimônio. Se algum segmento for afetado, você sempre terá papéis de boas empresas em indústrias diversas para compensar a perda e se recuperar rapidamente.

Entendeu por que investir em ações é um caminho promissor para construir seu patrimônio? Se você quer mais dicas para garantir seu futuro com investimentos, aproveite para conhecer outros artigos sobre o assunto, aqui na Onze!