Renda variável: 5 investimentos que valem muito a pena

Por Redação Onze

O que é renda variável

Renda variável é uma classificação de investimentos nos quais a rentabilidade não é conhecida no momento da compra ou aplicação. Ou seja: você não tem uma taxa de juros predefinida ou uma forma de cálculo dos rendimentos, e pode ter resultados positivos ou negativos com o investimento.

Do lado oposto está a renda fixa, que abrange os ativos com remuneração preestabelecida — prefixados, quando se conhece o rendimento exato, e pós-fixados, quando se conhece somente a forma de cálculo da rentabilidade. A diferença entre os dois tipos de ativo é óbvia: na renda fixa, é possível estimar ou determinar o valor resgatado no vencimento, enquanto esse valor é incerto e volátil na renda variável.

As ações são o investimento mais conhecido de renda variável, consistem em frações do capital social de empresas que dão direito à participação nos resultados do negócio. Ao comprar ações, é impossível prever com exatidão se o preço dos papéis vai subir ou descer, se a empresa terá um bom desempenho financeiro ou se haverá uma distribuição generosa de proventos, por exemplo.

Esses fatores variam conforme a oferta e demanda das ações na bolsa, cenário econômico, situação do mercado em que a empresa atua, qualidade da gestão, entre outros aspectos que influenciam diretamente o retorno obtido com o investimento e sua volatilidade — daí o termo “renda variável”.

Renda variável é para todos?

A incerteza sobre a rentabilidade faz da renda variável um tipo de investimento com maior risco, mas também com maior potencial de ganhos. Logo, é preciso ter um perfil de investidor entre moderado e arrojado para lidar com os altos e baixos dos ativos e ganhar dinheiro nesse mercado.

Para você entender melhor, estes são os três perfis de investidor:

  • Conservador: prioriza a segurança sobre o retorno e mantém a maior parte da carteira em ativos de baixo risco como títulos públicos, CDB, LCI/LCA e fundos de renda fixa, buscando proteger seu patrimônio e fugir da volatilidade
  • Moderado: busca equilibrar segurança e rentabilidade e tem uma tolerância maior a riscos de longo prazo, aceitando perdas até certo limite (geralmente, mantém cerca de 20% da carteira em renda variável e o restante em renda fixa)
  • Arrojado: também chamado de agressivo, é o investidor de risco que encara uma volatilidade maior para obter ganhos acima da média, principalmente por meio de ações.

Por isso, é essencial ser no mínimo moderado para adentrar a renda variável, com um bom conhecimento de mercado e disposição para lidar com a oscilação dos ativos no curto prazo. Lembrando que os investidores arrojados também têm suas aplicações em renda fixa e reservas de emergência, por maior que seja seu apetite de risco.

É importante salientar, nesse momento, que você pode começar seus estudos sobre a renda variável tendo o perfil conservador e, depois, com mais conhecimento, adaptar suas condições e mentalidade para um perfil moderado ou até arrojado. Essa categorização não deve servir para desencorajá-lo, e sim para alertá-lo da realidade do universo das ações, que testa o investidor com mais incertezas e volatilidade, especialmente no curto prazo.

Vale a pena investir na renda variável?

Embora a renda variável tenha suas incertezas, já ficou claro que os riscos do investimento são proporcionais ao retorno esperado. Então, se você pretende ter ganhos significativos com seus investimentos, vale a pena alocar uma parte do capital em ações, fundos multimercado e fundos imobiliários, por exemplo — desde que você esteja ciente dos riscos e tenha conhecimento suficiente.

Mas há um motivo ainda mais convincente para considerar a renda variável: a queda contínua da Taxa Selic. A taxa de juros básica da economia atingiu sua mínima histórica de 3% em maio de 2020, derrubando a rentabilidade da renda fixa e fazendo os investidores repensarem sua relação com o risco.

Com vários investimentos conservadores rendendo abaixo da inflação (como a poupança ou CDBs que remuneram percentuais baixos do CDI), os brasileiros estão mais propensos a migrar para a renda variável. Em 2019, os fundos de ações e imobiliários cresceram, respectivamente, 158,6% e 136% em volume de negociações, de acordo com dados da Anbima publicados na InfoMoney.

Já os fundos multimercados cresceram 31,2%, enquanto o volume dos fundos de renda fixa caiu 3,2%. Apesar das mudanças, a maior parte dos recursos segue concentrada em produtos de renda fixa, com 69% do total (em 2018, eram 78,3%).

Outro indicativo de crescimento da renda variável é o aumento da atratividade das ações: o número de investidores pessoa física da bolsa saltou 168% de 2018 até 2020, conforme dados da B3 publicados no Valor Investe. Os números ainda são tímidos, mas revelam que o brasileiro está se dando conta da importância de reservar uma parte da carteira para a renda variável, principalmente em tempos de juros baixos e novas oportunidades no mercado.

5 investimentos de renda variável que valem muito a pena

Se você está disposto a encarar a volatilidade da renda variável em nome de ganhos maiores, temos algumas dicas para começar do jeito certo.

Veja quais investimentos valem mais a pena.

1. Ações

As ações são os investimentos mais populares da renda variável e vêm se tornando mais democráticas. Hoje, qualquer pessoa pode abrir uma conta em uma corretora de valores e negociar papéis sem sair de casa, utilizando um sistema de home broker. Além disso, não é preciso ter muito dinheiro para começar, pois há lotes de ações a partir de R$ 100,00.

Para quem quer construir patrimônio e obter retornos consistentes, é recomendado investir em ações com uma estratégia de longo prazo — ou seja, escolher papéis de empresas sólidas com base na análise fundamentalista.

2. Fundos de ações

Os fundos de ações são ótimas opções para quem está começando na renda variável, pois permitem investir em ações sem ter que negociar diretamente na bolsa. Eles funcionam como qualquer fundo de investimentos: você compra uma cota e recebe os ganhos na proporção de sua participação no fundo, deixando a gestão dos ativos a cargo de um profissional responsável.

No caso, os fundos de ações possuem no mínimo 67% de seus recursos alocados em ações e outros ativos relacionados, como bônus de subscrição e fundos de índice de ações. A principal vantagem desses fundos é que você não precisa se preocupar com a oscilação das ações — basta contar com um gestor experiente e acompanhar o desempenho.

Vale mencionar que os fundos de ações tiveram captação líquida de R$ 9,2 bilhões entre março e maio de 2020, enquanto os fundos de renda fixa perderam R$ 91,8 bilhões, segundo dados da Anbima publicados no Uol.

3. Fundos cambiais

O câmbio é outra opção de investimento na renda variável, que consiste em investir na variação de moedas estrangeiras como dólar e euro. A forma mais prática de entrar nesse mercado é por meio dos fundos cambiais, que aplicam no mínimo 80% de seus recursos em ativos relacionados a uma moeda estrangeira.

Esses fundos são muito utilizados para proteger o poder de compra do investidor em momentos de crise e oscilações do dólar, por exemplo (uma operação conhecida como “hedge”). Há ainda outras formas de investir em dólar, como minicontratos de dólar futuro,  Certificados de Operações Estruturadas (COEs) e ações no exterior, que são mais complexos e voltados a investidores experientes.

4. ETFs (Exchange Traded Fund)

Os ETFs (Exchange Traded Fund), também conhecidos como fundos índice, são fundos de investimentos que “espelham” uma cesta de ativos, que pode ser um índice ou fundo. No Brasil, o mais conhecido é o ETF que replica o Ibovespa (principal índice de ações da bolsa), mas também há fundos que replicam ganhos do setor financeiro, Small Caps, índices de commodities, etc.

A grande vantagem dos ETFs é a possibilidade de diversificar o risco na renda variável, pois você investe em um “pacote” de ativos seguindo um índice — e não precisa ter o trabalho de adquirir e gerenciar cada um deles. Além disso, eles permitem ao investidor comprar lotes menores de ações (a partir de 10, enquanto na bolsa são 100) e contar com uma gestão profissional.

5. Fundos imobiliários

Os fundos de investimento imobiliários (FIIs) vêm ganhando destaque no mercado de renda variável, pois viabilizam ganhos e geração de renda com aluguéis sem a necessidade de comprar um imóvel. Há vários tipos de FIIs: os que investem em ativos reais e distribuem rendimentos, os que aplicam em uma categoria específica de empreendimentos (escritórios, shoppings, hospitais, escolas, etc.), os que compram títulos do mercado imobiliário em vez de imóveis, entre outros.

As cotas dos fundos imobiliários mais populares são negociadas na bolsa de valores, e seu risco está atrelado à incerteza em relação aos aluguéis e oscilação dos preços no mercado. Para quem quer lucrar no mercado imobiliário, são ótimas alternativas para receber renda recorrente (com isenção de Imposto de Renda para pessoa física) e ganhar dinheiro com incorporação, venda de direitos e juros de títulos de valores imobiliários.

Entendeu como funciona a renda variável e por que vale a pena investir em seus ativos? Quanto mais conhecimento você tiver sobre o mercado financeiro, mais confiança terá para ir além da renda fixa e maximizar seus ganhos. Nessa jornada de construção do patrimônio, conte com os artigos da Onze para ficar sempre bem informado.