Rendimento do Tesouro Direto: quanto pagam os títulos públicos

Por Redação Onze

Rendimento do Tesouro Direto

Rendimento do Tesouro Direto: como é calculado?

O Tesouro Direto é um programa do governo federal que possibilita a investidores (pessoas físicas) adquirirem títulos públicos federais. Na prática, funciona como se a pessoa que compra o título fizesse um empréstimo para o governo – o recurso é utilizado para financiar projetos, investimentos, obras e serviços públicos diversos.

Como em um empréstimo bancário, o devedor paga juros em cima dos valores que recebeu inicialmente. É esse o rendimento do Tesouro Direto.

Mas como esses juros são calculados? Depende de qual a categoria do título. Nos tópicos seguintes, apresentamos essas categorias e os respectivos cálculos.

Por enquanto, basta entender que os títulos do Tesouro Direto são considerados renda fixa, embora dois deles tenham um percentual variável, de acordo com dois indicadores da economia.

Seja qual for a categoria que você vai escolher, fique sabendo que estamos falando de um investimento seguro, pois é garantido 100% pelo Tesouro Nacional.

Qual é o rendimento dos títulos do Tesouro Direto

O rendimento do Tesouro Direto varia de acordo com a categoria dos títulos. Confira a rentabilidade de cada tipo:

  • Tesouro Prefixado (1/1/2023): 4,17%
  • Tesouro Prefixado (1/1/2026): 6,40%
  • Tesouro Selic (1/3/2025): taxa Selic + 0,0344%
  • Tesouro IPCA (15/8/2026): IPCA + 2,71%
  • Tesouro IPCA (15/5/2035): IPCA + 4,13%
  • Tesouro IPCA (15/5/2045): IPCA + 4,13%
  • Tesouro IPCA (15/8/2030) com juros semestrais: IPCA + 3,31%
  • Tesouro IPCA (15/8/2040) com juros semestrais: IPCA + 4,08%
  • Tesouro IPCA (15/5/2055) com juros semestrais: IPCA + 4,25%.

Atenção: os valores mudam com frequência. Os dados acima são referentes ao dia 25 de junho de 2020. Você pode conferir a informação atualizada no site do Tesouro Direto. Os percentuais correspondem à rentabilidade anual, e as datas informam quando cada título vence.

Note que, nos títulos prefixados, o investidor já sabe exatamente qual o rendimento do Tesouro Direto na data de vencimento. Já no Tesouro Selic e Tesouro IPCA, a rentabilidade é composta por um percentual fixo mais um variável.

Tesouro Prefixado

Para entender o cálculo do rendimento do Tesouro Direto, vamos exibir algumas simulações. Elas foram feitas com os valores do dia 24 de junho de 2020. As simulações abaixo têm como base os títulos do Tesouro Prefixado com vencimento em 2026, que têm:

  • Rentabilidade bruta anual: 6,61%
  • Descontos: Imposto de Renda (15%) e custódia da bolsa
  • Rentabilidade líquida anual: 5,62%
  • Rentabilidade líquida no período: 35,19%
Investimento inicialResultado líquido no vencimentoTotal
R$ 1 milR$ 342,84R$ 1.342,84
R$ 15 milR$ 5.142,61R$ 20.142,61
R$ 50 milR$ 17.142,03R$ 67.142,03
R$ 200 milR$ 68.568,12R$ 268.568,12
R$ 1 milhãoR$ 342.840,61R$ 1.342.840,61

Tesouro Selic

Nestes títulos, a rentabilidade é calculada com a soma da taxa Selic, que atualmente está em 2,25% ao ano, mais um percentual prefixado, que na simulação que fizemos era de 0,0344%. Com os descontos de IR e custódia da bolsa, a rentabilidade líquida para o título com vencimento em 2025 ficou em 9,42% no período e 1,94% por ano.

Investimento inicialResultado líquido no vencimentoTotal
R$ 1 milR$ 82,17R$ 1.082,17
R$ 15 milR$ 1.232,54R$ 16.232,54
R$ 50 milR$ 4.108,48R$ 54.108,48
R$ 200 milR$ 16.433,91R$ 216.433,91
R$ 1 milhãoR$ 82.169,55R$ 1.082.169,55

Tesouro IPCA

Assim como o Tesouro Selic, este título tem um percentual fixo e um variável. O variável é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação. Usamos como base o título com vencimento em 2026, que oferecia em 24 de junho uma rentabilidade de 2,77% mais o IPCA (acumulado em 1,88% em maio).

Com os descontos e IR e custódia da bolsa, a rentabilidade líquida ficou em 27,14% no período e 3,99% ao ano.

Investimento inicialResultado líquido no vencimentoTotal
R$ 1 milR$ 258,21R$ 1.258,21
R$ 15 milR$ 3.873,20R$ 18.873,20
R$ 50 milR$ 12.910,67R$ 62.910,67
R$ 200 milR$ 251.642,66R$ 51.642,66
R$ 1 milhãoR$ 1.258.213,32R$ 258.213,32

Rendimento no resgate antecipado do Tesouro Direto

Um detalhe muito importante de se observar é a liquidez, ou seja, a capacidade de transformar o título em dinheiro a qualquer momento e sem prejuízo.

Se você quiser resgatar o investimento antes da data de vencimento, talvez o rendimento do Tesouro Direto não seja o que você estava esperando. Isso por conta do que chamamos de marcação a mercado, isto é, a atualização dos valores dos ativos de renda fixa de acordo com a oscilação do mercado.

Pode acontecer de, no dia exato em que você quiser vender o título, ele estar com um preço mais alto. Mas também pode acontecer de estar mais baixo – situação na qual o resgate antecipado significaria perder dinheiro.

Veja bem: esse só é um risco no resgate antecipado. Esperando a data de vencimento do título, o investidor tem a garantia da rentabilidade prometida.

Em nossas simulações, você deve ter percebido que o rendimento do Tesouro Direto é menor do que nos outros casos, certo? Então, por que alguém optaria por essa categoria? Justamente porque é a exceção no quesito liquidez: é o único título que você pode resgatar a qualquer momento sem temer prejuízo.

Em alguns casos, essa é uma vantagem decisiva, mas vamos explicar melhor essa questão em outro trecho deste artigo.

Rendimento do Tesouro Direto vale a pena?

É muito importante compreender qual categoria de título é mais adequada para cada situação. O Tesouro IPCA, por exemplo, tem uma parte da rentabilidade vinculada ao índice de inflação.

Essa característica garante ao investidor proteção total contra a oscilação de valor da moeda brasileira. Se a inflação aumentar, o rendimento aumentará junto. Se cair, não precisa se preocupar, pois o dinheiro que investiu não perderá valor.

Por isso, é um bom investimento para o longo prazo: aconteça o que acontecer com a economia, o dinheiro vai render.

Já o Tesouro Prefixado apresenta uma boa rentabilidade hoje, mas pode ser que, no futuro, com mudanças na inflação e taxa de juros, deixe de ser um investimento atrativo. Só que é pouco provável que mudanças bruscas ocorram em pouco tempo, tornando essa categoria de título vantajosa no médio prazo, mas arriscada no longo.

Quanto ao Tesouro Selic, apesar de sua baixa rentabilidade atualmente, tem o trunfo da liquidez: você pode resgatar a qualquer momento sem prejuízo. Por esse motivo, é um título que pode ser adquirido por quem está juntando dinheiro para um objetivo de curto prazo (como uma viagem) ou para formar uma reserva de emergência.

Na época que a taxa Selic estava lá no alto, o Tesouro Direto era celebrado por todos como o grande investimento no Brasil: totalmente seguro e muito rentável. Mas as condições mudam. Hoje, tanto a taxa de juros quanto a inflação estão em níveis baixos, o que faz os investidores brasileiros explorarem outras possibilidades.

O Tesouro Direto, no entanto, não deixou de ser um investimento relevante. Não precisa ser exclusivo, mas pode muito bem compor a parcela de renda fixa da sua carteira de investimentos.

Neste texto, vimos que ele funciona bem como alternativa à poupança, proteção contra a inflação, diversificação e formação de um fundo de emergência. Qual é o seu objetivo neste momento? A depender da resposta, o rendimento do Tesouro Direto pode ser mais ou menos atrativo.

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