Porque você precisa incentivar seus funcionários a poupar

Por Redação Onze

Incentivar seus funcionários a poupar

Grande parte das empresas ainda não considera que é o seu papel ensinar – ou mesmo incentivar – os seus funcionários a poupar. Pelo contrário, alguns executivos ainda acham que é melhor ter um funcionário endividado porque, supostamente, assim é mais fácil mantê-lo sob uma rédea curta.

Diversas pesquisas apontam, no entanto, que o stress decorrente de endividamentos, de escolhas ruins de investimento e situações análogas ocasionam uma queda significativa na produtividade, gerando problemas para as empresas.

Um estudo realizado em 2018 denominado “The Employer’s Guide to Financial Wellbeing” concluiu que as dívidas diminuem em cerca de 15% a produtividade nas empresas. Foram entrevistados mais de 10 mil funcionários no Reino Unido para chegar a esse resultado.

Dessa forma, em vez de considerar que se trata de um assunto de interesse particular, no sentido de que cada funcionário sabe o que é melhor para si e como utilizar seu dinheiro, as empresas podem e devem incentivar seus funcionários a poupar dinheiro e a controlar suas finanças.

E a melhor forma de realizar isso é através de programas de educação financeira e incentivando-os a fazer investimentos seguros que permitam garantir uma reserva para o futuro, como por exemplo por meio da previdência privada empresarial.

E isso deve ser pensado não apenas como uma forma de beneficiar os funcionários, mas como uma forma de obter um retorno significativo, já que esse tipo de iniciativa irá proporcionar:

  • Um aumento significativo na produtividade
  • Uma maior retenção de talentos
  • Uma menor taxa de absenteísmo em virtude de stress financeiro
  • Uma melhora na cultura da empresa


Evitando o estresse financeiro

Com a falta de planejamento e sem o hábito de poupar, o funcionário fica à mercê do chamado estresse financeiro.

Essa condição é definida pelo Financial Health Institute como o resultado de eventos financeiros ou econômicos que criam ansiedade, preocupação, uma sensação de escassez, e que é geralmente acompanhado de uma resposta fisiológica de estresse.

Ou seja, em decorrência das cobranças e da incapacidade de se livrar de suas pendências por falta de planejamento e por não ter o costume de poupar dinheiro, o funcionário acaba tendo o seu desempenho impactado por causa dessas constantes preocupações, que podem ser reduzidas de forma considerável com educação financeira e com o hábito de poupar dinheiro.

Boa parte das empresas já percebeu essa tendência. Um ranking promovido em 2019 pela revista Você S/A classificou as 150 melhores empresas para se trabalhar e revelou que 75% delas já realizam algum tipo de orientação sobre dinheiro aos colaboradores, enquanto 41% dão aconselhamento e suporte ao planejamento financeiro.

Estabelecendo parcerias com os funcionários

É certo que adquirir um tom paternalista e tentar demonstrar que você, como CFO ou tomador de decisão da empresa, sabe melhor do que o funcionário acerca de suas necessidades, não é a melhor estratégia a seguir.

No entanto, ao adotar uma estratégia de parceria, de tentar se aproximar do funcionário e mostrar os benefícios de, por exemplo, aderir a um programa de previdência privada empresarial, os resultados podem ser bastante positivos.

Em vez de apenas oferecer um plano de previdência privada, a empresa pode complementar os valores depositados pelo funcionário. Dessa forma, ela pode, por exemplo, a cada R$ 1 depositado pelo funcionário em plano de previdência privada empresarial, depositar outro R$ 1 para incentivá-lo a optar por esse tipo de investimento.

Esse incentivo representa um ótimo retorno para o funcionário, já que independentemente de quanto vier a render o valor que ele depositar no total, já terá um retorno de pelo menos 100% decorrente dos aportes feitos pela empresa nessa parceria.

E não pensem que isso é alguma forma de filantropia corporativa, pelo contrário.

Além de ajudar o funcionário nos seus investimentos de longo prazo e reduzir o seu stress relacionado às questões financeiras, a empresa também sai ganhando porque o custo para que ela faça esses aportes é 60% do custo de aportar o mesmo valor diretamente no valor dos salários dos funcionários.

Isso se explica porque existe um retorno garantido em benefícios fiscais quando a empresa se compromete a oferecer um plano de previdência privada e faz aportes para o funcionário.

A importância de seus funcionários pouparem em um cenário de inadimplência

Pesquisa recente feita pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que, no começo de 2020, o número de inadimplentes no Brasil chegava a 61 milhões. Apesar do número significativo, a tendência é de queda.

“A expectativa é de que a inadimplência siga em queda pelos próximos meses, mas a passos lentos. Mesmo com a inadimplência caindo aos poucos, as famílias ainda enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos em dia, tanto é que há um estoque elevado de pessoas com contas sem pagar”, afirma Roque Pellizzaro Junior, presidente do SPC Brasil.

Além disso, uma pesquisa feita pelo Banco Central divulgada em 2017 apontou que 56% dos entrevistados não fazem orçamento doméstico familiar, enquanto 69% afirmaram não ter poupado nenhuma parte de sua renda nos últimos 12 meses, demonstrando a necessidade urgente de uma maior educação financeira.

As empresas que se preocupam com seus funcionários devem tentar evitar que eles componham essa estatística porque os prejuízos que a inadimplência causa na vida das pessoas são inúmeros: maior dificuldade em conseguir crédito, a fazer compras parceladas e a ter acesso a serviços financeiros em geral.

A necessidade de poupar em virtude de mudanças na economia e na legislação

Uma dificuldade que as empresas precisam enfrentar ao tentar conscientizar seus funcionários acerca da necessidade de poupar dinheiro é o fato de que, por décadas, o Brasil foi um país de rentistas, com juros básicos estratosféricos e que tornavam os investimentos mais simples, como a poupança, razoavelmente rentáveis.

Esse cenário, que persistiu por décadas até anos recentes, quando a taxa Selic (a taxa básica de juros da economia) começou a sofrer uma queda vertiginosa.

Para se ter uma ideia, passamos de um cenário de uma taxa básica de juros acima de 25% nos primeiros meses de 2003 para uma meta fixada pelo Copom de 4,25% em sua última reunião, realizada em fevereiro de 2020.

Dessa forma, os investimentos tradicionais, como a própria poupança, passaram a não ter a mesma atratividade.

Agora, é necessário educar essas pessoas que ainda pensam como antigamente, da mesma forma como é necessário mostrar aos funcionários das novas gerações como é necessário ter um plano de contingência em uma economia instável e com uma alta taxa de desemprego como a nossa.

A questão da reforma da Previdência e a real atratividade da previdência privada

Além disso, a respeito da relevância da previdência privada empresarial, é necessário educar os funcionários em relação às mudanças que estão sendo realizadas na previdência pública. Agora, é preciso ter um maior tempo de contribuição para ter acesso ao benefício.

É nesse contexto que a previdência privada empresarial deve ser introduzida, como uma necessidade diante de um cenário cada vez mais desafiador para quem pretende ter uma aposentadoria confortável.

Também é uma boa opção para quem pretende poupar para não ficar totalmente à mercê das instabilidades políticas e econômicas, podendo recorrer a uma reserva para esse tipo de emergência.

Ocorre, no entanto, que o avanço dos custos dos planos tradicionais de previdência privada acabou por levar os seus rendimentos a patamares pífios.

Isso ocorre porque, apesar da vantagem de as contribuições poderem ser deduzidas da declaração de imposto de renda, a taxa de administração cobrada por grandes bancos chega a 3% ao ano, além de existir a possibilidade de ser cobrada uma taxa de até 3% sobre cada aporte realizado.

Esse cenário levou alguns analistas do mercado a considerarem que a previdência privada é atualmente um dos piores investimentos do mercado. Apesar disso, a questão ainda é bastante controversa e está centrada, sobretudo, nas altas taxas cobradas por grandes bancos.

Caso a empresa opte por corretoras e entidades focadas nesse tipo de serviço que ofereçam condições melhores, com taxas menores de administração e menor quantidade de encargos, a previdência privada empresarial pode, sim, ser uma ótima opção, especialmente quando a empresa incentiva o investimento fazendo aportes adicionais para os colaboradores.

Como afirma Felipe Medeiros, sócio-fundador da empresa Mais Retorno e um dos consultados para criação do ranking, não são todos os planos de previdência privada que são ruins.

“Eles podem ser uma opção interessante de investimento, com um bom retorno, principalmente os oferecidos por instituições independentes, como corretoras. Entretanto, os planos mais tradicionais, normalmente oferecidos por grandes bancos, são cheios de taxas e oferecem um rendimento pífio”, afirma.

Essa perspectiva é compartilhada por Arlete Nese, doutora em administração e co-autora do livro “Fundamentos da Previdência Complementar”.

“A IOT [Internet das Coisas] reduziu os custos de colocação do produto, ampliou o acesso ao produto de forma independente e possibilitou a maior comparabilidade entre instituições”, afirma.

Para ela, trata-se do papel de toda empresa que atenda a princípios de responsabilidade social incentivar os funcionários a poupar dinheiro, sendo a previdência privada empresarial uma boa forma de evitar que os funcionários fiquem dependentes da seguridade social diante das mudanças recentes na previdência pública.

Criando um diferencial para seus funcionários

Resumindo, independentemente de sua empresa ser grande, média ou mesmo pequena, investir em educação financeira e investimentos como previdência privada corporativa são uma ótima alternativa para reduzir o turnover, já que os funcionários com boa educação financeira e com investimentos seguros a longo prazo tendem a ficar muito menos estressados do que aqueles que não poupam e não pensam no futuro.

Além disso, esse tipo de benefício pode ser oferecido independente do porte da empresa porque, com a evolução tecnológica, esse processo se tornou cada vez mais acessível e menos burocrático, não sendo exigida uma grande estrutura empresarial para implementar esses benefícios.

Brasil entre os piores no quesito educação financeira

E para sublinhar a importância de disponibilizar esse tipo de benefício aos funcionários, basta considerar que os estudantes brasileiros ficaram em último lugar entre os 15 países que participaram de uma pesquisa sobre educação financeira feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicada em 2017.

Essa pesquisa, denominada Pisa (Programa Internacional para Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) 2015, considera que um estudante letrado financeiramente “tem um conhecimento e uma capacidade compreender conceitos financeiros e risco, além de ter habilidades, motivação e confiança para aplicar esse conhecimento para tomar boas decisões em contextos financeiros diversos, para melhorar a saúde financeira de indivíduos e da sociedade, assim como permitir a sua atuação na vida financeira”.

No Brasil, apenas 2,6% dos alunos alcançam o melhor patamar de educação financeira, enquanto na China a porcentagem é de 33,4%.

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