Saiba como escolher as melhores ações

Por Redação Onze

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Oportunidades na crise

O mês de maio registrou uma retomada do principal índice da bolsa de valores, o Ibovespa. O índice se valorizou 8,57% no período, maior alta desde 2009, apesar de ainda perder 23% no ano por conta dos efeitos da crise.

Apesar da recuperação parcial do mercado, ainda é possível comprar papéis com potencial de crescimento que estejam “baratos” em relação ao seu preço histórico.

Esse fenômeno acontece porque, assustados pela crise, muitos investidores acabam saindo da bolsa, acreditando que as empresas nas quais aplicavam dinheiro poderiam quebrar, explica Silveira. “O aumento do risco acaba resultando em um desconto maior nas ações. Por isso a desvalorização dos papéis é tão intensa e rápida”.

Mas o especialista analisa que a pandemia é uma crise atípica. Enquanto a grande crise econômica mais recente, em 2008, afetou o balanço de bancos durante muito tempo, na pandemia as empresas têm uma perspectiva de recuperação mais rápida: basta surgir uma vacina eficaz contra o vírus. “Por mais que a atividade econômica esteja bastante fraca, a reabertura das economias mitiga o risco extremo de as empresas listadas em bolsa quebrarem”.

Carteira recomendada

Neste cenário, a Capital Research não mudou de forma relevante as melhores ações que já indicava no período pré-pandemia. “Acreditamos que apesar de alguns setores serem mais impactados, empresas de tecnologia, por exemplo, se beneficiam não apenas da crise, mas também de mudanças perenes nos hábitos dos consumidores. Algumas tendências foram aceleradas”. explica Silveira.

É necessário ressaltar que carteiras recomendadas devem ser usadas apenas como referência. “Não há uma carteira padrão para todo mundo. As indicações têm de fazer sentido para o perfil de cada investidor, se é conservador ou moderado, e prazo planejado para investimento. Isso porque existem ações mais e menos conservadoras no mercado. No panorama atual, isso é ainda mais evidente. A dica para os iniciantes é fugir de ações mais arriscadas”.

Veja abaixo as indicações da Capital Research para investir em ações. Desde outubro de 2019, a carteira registra 10% de rentabilidade:

Arezzo (ARZZ3)

A empresa, criada há 47 anos e líder no setor de calçados, bolsas e acessórios no país, vem crescendo seu lucro líquido em cerca de 9% ao ano desde 2015. A companhia tem caixa líquido e baixo endividamento por conta de seu modelo de negócios: a maior parte de suas lojas são franquias e 90% de sua produção é terceirizada.

Bradesco (BBDC4)

Apesar de a pandemia ter potencial para aumentar a inadimplência de clientes no curto prazo e diminuir a busca por crédito no médio prazo, a ação do Bradesco pode ser considerada barata. O papel está sendo negociado a menos de sete vezes o lucro projetado para 2021. O banco tem um modelo de negócios resiliente e já registrou altos retornos, mesmo durante crises. Apesar da ameaça dos bancos digitais, a expectativa é que o setor de crédito ainda seja dominado pelos grandes bancos por muito tempo. Além disso, o Bradesco criou seu próprio banco digital, o Next, que vem registrando um bom desempenho.

BTG Pactual (BPAC11)

A atuação do banco de investimentos é considerada diversificada pelo analista da Capital Research. Entre as suas áreas de atuação, se destaca a consultoria no setor de fusões e aquisições, crédito para clientes corporativos e assessoria de investimentos. Silveira acredita que o banco tem um espaço amplo para explorar o segmento de investimentos para pessoas físicas, dominado hoje pela concorrente XP. A fatia do BTG no banco Pan é estratégica para que a instituição financeira se beneficie da tendência dos bancos digitais.

Cosan (CSAN3)

O grupo é composto por três unidades de negócios: produção de açúcar e distribuição de combustível (Raízen) e de gás natural (Comgás). Apesar de sofrer impacto negativo na crise do coronavírus, Silveira indica o papel no longo prazo, no qual vê a demanda por açúcar e combustível se normalizar. O relatório destaca que a Raízen Combustível apresenta performance superior a de seus concorrentes e firmou em agosto do ano passado uma parceria com a mexicana Femsa para expandir suas lojas de conveniência.

CVC (CVCB3)

O impacto da pandemia nos negócios da agência de viagens é inegável, inclusive no médio prazo. Contudo, a CVC tem tomado medidas importantes para amenizar esses efeitos, auxiliando franquias a obterem crédito, negociando aluguéis com administradores de shoppings, suspendendo contratações, adiando projetos e acelerando sua digitalização. A companhia lucrou R$ 187,6 milhões em 2019.

Fleury (FLRY3)

A maior parte da receita do grupo focado em medicina diagnóstica vem de mais de 200 unidades de atendimento com diferentes marcas, entre elas a A+, e que estão localizadas em oito estados. Outra parte, cerca de 15%, vem de operações em 25 hospitais, e também em outros laboratórios, com foco em exames de média e alta complexidade. A Fleury está à frente dos concorrentes em testes complexos, como genéticos, e é visto pelos analistas como uma empresa consolidadora do setor. Apenas em 2019, adquiriu três empresas no mercado nordestino. Esse crescimento deve continuar nos próximos anos. Recentemente, lançou o primeiro laboratório 100% digital do Brasil e tem empresas como Prevent Senior como cliente. Além disso, a Fleury é historicamente uma boa pagadora de dividendos.

Magazine Luiza (MGLU3)

Uma das maiores do Brasil, o analista acredita que a rede varejista, que tem forte presença virtual,  encontra espaço para crescer online e também em em serviços financeiros. A empresa tem liderado estudos em inovação e vem crescendo de forma acelerada, acima dos concorrentes. Tem parceria com o Itaú na área de crédito e o BNP Paribas para oferecer garantia estendida, além de ter adquirido recentemente empresas de logística, soluções para ecommerce e a Netshoes, comércio online de roupas e acessórios.

SLC Agrícola (SLCE3)

Principal produtora brasileira de algodão, soja e milho, a empresa atua em seis estados. O algodão representa 50% de sua receita,a soja 40% e, o milho, 19%. Para diminuir o efeito do clima sobre seus negócios, diversifica culturas e também sua área geográfica, com parte da área plantada no Nordeste e parte no Centro-Oeste. Já para diminuir impactos do sobe e desce do dólar tem política de hedge definida, operação que reduz ou elimina o risco de variação dos preços. Recentemente, vem monetizando ganhos imobiliários arrendando terrenos e pedindo em troca um contrato de aluguel para continuar a operar na região. Também vem terceirizando parte das colheitas. Ambas as medidas estão reduzindo o seu endividamento.

Unidas (LCAM3)

A empresa de locação de veículos e terceirização de frotas surgiu a partir da união entre Locamerica e Unidas. É a segunda maior do setor em tamanho de frota, o que proporciona ampla rede de distribuição, diluição de custos fixos e poder de barganha em compras. Analistas acreditam que o setor tem grande potencial de crescimento, pois o uso do serviço por grandes empresas ainda é pequeno se comparado a outros países. Além disso, a empresa vem apresentando bons resultados, aumentando sua receita e lucro. Isso torna sua ação barata em relação às de concorrentes.

Vale (VALE3)

A empresa é a maior produtora de minério de ferro do mundo. É da extração da commodity que a empresa retira 75% de sua receita. O restante é dedicado a níquel, cobre e carvão. Apesar da queda do volume ter impactado seu custo fixo, também elevou o preço da commodity no exterior, visto que a empresa tem relevância no segmento. Recentemente, mesmo com despesas extraordinárias, como a reparação à tragédia de Brumadinho, a empresa vem conseguindo reduzir despesas e se beneficiar da alta do dólar em relação ao real. Os analistas acreditam que os papéis da companhia estão muito baratos em relação aos concorrentes no exterior.

Como escolher ações

Para quem deseja encontrar as melhores oportunidades em ações por conta própria, existem algumas dicas que evitam surpresas negativas, ainda mais em um momento como o atual, no qual o sobe e desce do mercado é mais frequente.

  • Diversifique papéis

Segundo Silveira, é importante, quando se trata de ações, diversificar. A dica é especialmente válida para pequenos investidores iniciantes.

O especialista não recomenda ter mais de 10% da carteira de ações em cada papel. “Por exemplo, no caso de quem tem R$ 10 mil aplicado, é aconselhável não  ter mais de R$ 1 mil em cada ação”.

É necessário lembrar que a carteira de ações é apenas uma parte da carteira de investimentos, que deve ser composta ainda por produtos de renda fixa e outros tipos de ativos de renda variável, como fundos. A proporção que a carteira de ações terá dentro da carteira total vai depender do perfil de risco do investidor.

  • Tenha exposição a bolsas de valores no exterior

A crise provocada pelo coronavírus oferece oportunidades, mas a crise política e incertezas provocadas pelo combate ao vírus no país trazem incertezas.

Por isso, é sempre aconselhável ter exposição a outros mercados, que além de mais maduros e diversificados, estão em outro momento econômico e de combate à pandemia. É o caso dos Estados Unidos.

Pensar em investir no exterior já te dá dor de cabeça? Há uma maneira simples de fazer isso: comprar cota de um fundo de índice (ETF), negociado na B3.

Atualmente, os analistas da Capital Research recomendam que 60% do valor da carteira de ações seja aplicado no ETF do S&P500 (IVVB11). Comprando uma cota do fundo, o investidor está adquirindo participação nas 500 maiores empresas americanas, que fazem parte do índice. “Por mais que os EUA estejam às vésperas de uma eleição, e estejam presenciando uma onda de protestos agora, acreditamos que o mercado americano irá se recuperar mais rápido do que o brasileiro”, diz Silveira.

O S&P 500 é o índice americano mais diversificado. Como forma de comparação, apenas 100 ações da bolsa americana Nasdaq correspondem a 90% do volume de negociação do índice, afirma o analista de ações. “Além disso, as principais empresas da Nasdaq também estão presentes no S&P, como as grandes empresas de tecnologia”.

“O investidor costuma lembrar que é interessante investir lá fora apenas quando o dólar sobe”, diz Silveira. “Mas não é recomendável tentar achar o momento certo para montar essa posição. Ela deve fazer parte de qualquer carteira sempre”.

  • Estude sobre as empresas

É possível montar uma carteira de ações apenas composta por ETFs. Os chamados fundos de índice, negociados na B3, são a maneira mais simples de diversificar o investimento em ações. Isso porque ao adquirir apenas uma cota é possível estar exposto a todas as ações que compõem o índice de referência do fundo, como o Ibovespa, o de Small Caps e também de bolsas internacionais. “Nesse caso, recomendamos no momento que 60% do valor seja aplicado no IVVB11 e 40% em ações brasileiras por meio do ETF que segue o índice Ibovespa, o BOVA11”, diz Silveira.

Contudo, uma carteira passiva de ações, que segue índices, é indicada apenas para investidores mais iniciantes e conservadores. Apesar de os índices oferecerem bons retornos em prazos longos, o investidor acaba perdendo o potencial de crescimento de alguns papéis, ficando apenas com um retorno médio do mercado, explica o especialista em ações da Capital Research. “O risco de investir em um papel diretamente é maior, mas a sua rentabilidade também pode ser. Para quem não quer arriscar muito, basta aplicar uma porção maior em um ETF, e o restante em papéis diversos”.

Para investir diretamente nas melhores ações, é possível buscar a ajuda de especialistas, como casas de análise e corretoras, e também olhar o balanço das empresas, indica Silveira. “Os dados mais importantes a serem analisados são rentabilidade e alavancagem, que são indicadores importantes de risco das empresas de capital aberto”. Outras análises que devem ser feitas é como a empresa está inserida em seu setor de atuação e qual a perspectiva para esse segmento.

  • Tenha objetivo de longo prazo

Para quem está começando a investir na bolsa de valores, a recomendação é que a aplicação tenha um horizonte de longo prazo. “O investimento em ações deve durar anos. Caso contrário, o risco de prejuízos é alto”, diz Silveira.

O especialista cita que existem vários estudos que mostram que a valorização de ações em prazos mais longos é consistentemente superior ao de ativos de renda fixa. “Já no curtíssimo prazo existem diversos fatores aleatórios que afetam a rentabilidade do investimento. Esse risco é mitigado pela diversificação e o prazo do investimento”.

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