Securitização: o que é, como funciona e exemplos de operações

Por Redação Onze

Securitização

O que é securitização

A securitização é uma ferramenta importante no desenvolvimento do país. É usada por empresas como forma de captar recursos e por investidores na busca por melhor rentabilidade.

Pense em uma empresa que tem muitas dívidas a receber. Ela precisa de capital para financiar seus projetos, mas não pode esperar até que todos os devedores paguem para dar início ou continuidade aos seus empreendimentos.

Além de demorar muito, corre o risco de inadimplência. Aí entra a securitização, uma opção segura e garantida de receber o dinheiro adiantado.

Essas dívidas a receber são transformadas em títulos, então negociados com investidores. Os investidores assumem a dívida e seus riscos. E por isso são recompensados com juros mais interessantes que de outras aplicações. A empresa recebe adiantado, mas um valor abaixo do devido.

É como se a empresa contratasse um seguro que garante o pagamento das contas que tem a receber. Esse desconto no valor total a receber seria como o pagamento do seguro. Quando o devedor quitar a dívida, esse dinheiro será pago integralmente aos investidores. E essa diferença de valor é a remuneração do investidor por ter assumido os riscos das dívidas.

Isso tudo é feito por meio de uma instituição financeira, que transforma essas dívidas em títulos negociáveis no mercado de capitais. Agora que você já entendeu o que é uma securitização, veja como funciona esse processo e alguns exemplos de operações.

Como funciona a securitização

A securitização funciona com três elementos:

  • Cedente: o credor, ou seja, a empresa que tem contas a receber
  • Securitizadora: instituição financeira que é responsável em transformar essas contas a receber em títulos negociáveis no mercado de capitais
  • Investidor: que comprará essas dívidas em forma de títulos e assumirá os riscos em troca de rendimentos.

Por parte do cedente, podem recorrer a essa solução de securitização empresas de qualquer setor, como comércio, imobiliárias, financeiras, indústrias, prestação de serviços e outras áreas.

A securitizadora funciona como intermediadora da operação entre cedente e investidor. É essa instituição financeira que transforma as dívidas em ativos, que podem ser emitidos como títulos ou valores mobiliários. Veremos alguns exemplos no próximo tópico.

As contas a receber podem ser duplicatas, cheques, empréstimos, financiamentos, parcelamentos, aluguéis, contratos de empréstimo e outros. Essas contas são transformadas pela securitizadora em ativos financeiros a serem negociados no mercado de investimentos.

Os investidores entram no jogo em busca de melhor rentabilidade. Como são operações de risco, já que compram dívidas e, com elas, riscos de calote, recebem em troca juros mais interessantes. Esse grupo pode ser formado tanto por pessoas físicas quanto jurídicas.

Exemplos de operações de securitização

Existem diferentes operações de securitização, como títulos de debêntures negociáveis, fundos de investimento em direitos creditórios, certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio. Entenda as particularidades de cada uma a seguir.

Certificado de Recebíveis

O certificado de recebíveis imobiliários, conhecido como CRI, está relacionado a dívidas imobiliárias. Podem ser contratos de aluguéis ou prestações de imóveis, por exemplo.

É o caso de uma construtora que vendeu apartamentos na planta, mas precisa desse valor para dar andamento às obras. Ao securitizar essas prestações, ela recebe o pagamento antecipado, descontado um percentual que será o rendimento do investidor.

No caso do Certificado de Recebíveis do Agronegócio, também chamado de CRA, as dívidas são de agentes rurais, como produtores ou cooperativas. Tanto CRI quanto CRA são ativos de renda fixa.

Debêntures

As debêntures constituem aplicações de renda fixa que trazem diversificação e maior rentabilidade à sua carteira. No caso da securitização, torna-se mais vantajoso para o investidor comprar títulos de debêntures negociáveis dessa forma. Isso porque são compostos por títulos de diversas dívidas, e não apenas de uma.

Assim, no caso de inadimplência em uma delas, o total de rendimentos não é afetado, pois existem outras contas a serem pagas. É a chamada pulverização de recebíveis.

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios

Mais conhecidos como FIDC, esses fundos são uma opção para empresas de todos os setores que precisam adiantar o pagamento de suas contas a receber. Para os investidores, é interessante pela alta rentabilidade, classificação por agência de risco e possibilidade de negociação no mercado secundário.

Porém não conta com proteção do Fundo Garantidor de Crédito. Empresas de qualquer área podem transformar parte de suas contas a receber em títulos de fundos de investimento em direitos creditórios, de varejo e imobiliárias, a indústria e prestação de serviços. Esse, no entanto, é um ativo para um determinado perfil de investidor: profissional, certificado pela CVM e com aplicações acima de R$1 milhão.

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