Como alcançar metas pessoais a partir de um bom planejamento financeiro

Por admin

Metas pessoais

Desde muito jovens costumamos traçar metas pessoais. Elas vão desde conquistar o tão desejado brinquedo da infância até financiar o primeiro apartamento na vida adulta. Independentemente do tamanho da meta, todas elas precisam de planejamento, muitas vezes financeiro, para serem alcançadas.

Mas o que são metas?

Metas pessoais são planos que nos ajudam a alcançar nossos objetivos de vida. Os objetivos costumam estar relacionados aos nossos desejos mais abrangentes para o futuro, enquanto as metas são os resultados que esperamos alcançar a partir de um conjunto de ações. 

Por exemplo, se alguém tem como objetivo ter uma boa aposentadoria no futuro, sua meta deve trabalhar um plano de ação, como: poupar um percentual do salário todo mês, buscar fontes alternativas de renda e cortar gastos supérfluos, ou apenas melhorar sua saúde financeira. O resultado dessas ações será uma boa aposentadoria. Para facilitar, tenha em mente que uma meta deve:

> Ser específica;

> Ter um prazo determinado;

> Possuir um método;

> Ter métricas claras de avaliação de performance; 

> Ser atingível; 

> Contar com passos claros que devem ser seguidos.

Por que estabelecer metas pessoais?

As metas têm como objetivo nos orientar ao longo dos anos de vida e manter nossa motivação com pequenas, médias e grandes vitórias. Além disso, dividir um grande objetivo em metas menores faz com que ele pareça mais simples de ser alcançado.

Se manter concentrado em metas também afasta distrações e diminui a perda de tempo, uma vez que as pessoas tendem a organizar seus recursos e esforços em função dos objetivos almejados. 

Os diferentes tipos de metas 

O ideal é que tenhamos uma meta principal de vida, como se fosse a meta mãe que orienta todas as outras. Se seu grande objetivo é, por exemplo, ter uma linda família, ter uma empresa de sucesso ou morar no país dos seus sonhos, todas as suas metas menores precisam estar alinhadas com a meta mãe.

Em geral, as metas pessoais costumam ser divididas em três categorias de acordo com o período de tempo entre o início da estratégia e a conquista do objetivo. As metas podem ser de curto, médio e longo prazo. 

Para a psicóloga Ana Darla Arruda, são esses prazos que as tornam possíveis de serem alcançadas. “A maioria das pessoas desenha uma reta ascendente de metas, mas quando cansa volta para a estaca zero. Por isso é tão importante você ter metas de curto, médio e longo prazo. Você trabalha e descansa.”

Metas de curto prazo: são as tarefas que se pretende executar durante pouco tempo, como semanas ou meses, para se obter resultados mais rápidos. Alguns exemplos são: planejar a viagem de fim de ano, ler um livro por mês durante um ano, comprar um sofá novo ou organizar uma festa de aniversário. 

Metas de médio prazo: são metas que necessitam de um a três anos para serem alcançadas. Em geral, envolvem processos mais trabalhosos. Exemplos comuns são: trocar de carro, reformar a casa, começar a investir, escrever um livro, planejar um casamento ou começar a aprender um novo idioma. 

Metas de longo prazo: são metas que costumam demorar de cinco a mais anos para serem concluídas. Essas metas, em geral, demandam um alto comprometimento e investimento de tempo e recursos. Exemplos são fazer um doutorado, conhecer toda a América Latina, comprar uma casa e montar um fundo de aposentadoria. 

Como traçar uma meta?

Uma metodologia famosa para definição de metas pessoais, levando em conta o tempo de que necessitam para serem realizadas, é a 5W2H. O método consiste em responder sete perguntas que ajudam você a entender os aspectos principais do seu plano de ação.  

> O que vamos fazer?

> Quem vai fazer?

> Quando vamos fazer?

> Onde será feito?

> Por que será feito?

> Como fazer?

> Quanto vai custar?

O papel das finanças na realização de metas pessoais

Em boa parte dos casos, a realização de uma meta envolve dinheiro. Até mesmo objetivos mais ligados ao bem-estar pessoal, como tirar um ano sabático, não conseguem fugir das questões financeiras. Afinal, se você quer passar 12 meses sem trabalhar, será preciso ter uma reserva que banque ao menos suas necessidades básicas.

Um dos maiores aliados no processo de ajustar as finanças para conseguir realizar metas pessoais, segundo Ana Darla Arruda, são as planilhas. A psicóloga analisa que quando os indivíduos conseguem ter um controle maior dos seus gastos, eles conseguem perceber se estão investindo o dinheiro em suas metas pessoais ou o desperdiçando. 

“Você precisa de um lembrete constante das suas metas. Se todo mês você vai separar R$ 50 para comprar uma casa, por exemplo, anote o valor na linha chamada ‘Casa dos Sonhos’. As planilhas também ajudam a ver para onde o dinheiro está indo”, afirma ela.

Para ajudar a manter os gastos sob controle, existem diversas técnicas. Há quem prefira andar somente com dinheiro vivo para evitar gastar. Há quem goste de colocar tudo no cartão e analisar detalhadamente os gastos do mês.

“Eu sou a favor de usar a tecnologia. Os aplicativos de banco, por exemplo, já mostram seu perfil de consumidor: quanto você gasta com comida, educação, essenciais ou besteiras. Vários especialistas também sugerem quais proporções do seu salário devem ir para qual tipo de gasto. Com isso, você consegue analisar onde precisa fazer ajustes”, afirma Ana Darla. 

Principais desafios para alcançar as metas pessoais

Um dos principais vilões financeiros que impedem as pessoas de realizarem suas metas pessoais são as compras desnecessárias. Para evitar gastos desnecessários, antes de realizar qualquer compra é indicado se fazer as seguintes perguntas:

Eu quero? 

Eu preciso? 

Eu posso? 

Vai fazer falta? 

Se eu não tiver isso, eu vou morrer? 

Se a resposta para a maioria delas for “não”, trata-se de uma compra desnecessária. 

  • Autoengano

Outra atitude que costuma comprometer o orçamento das pessoas é o sentimento de merecimento. “Todo mundo já falou aquele ‘eu mereço’ para comprar alguma coisa da qual não precisava. Todo mundo que trabalha merece, mas você precisa avaliar até onde você pode ir. Você merece uma blusinha de dez reais ou quer um apartamento bacana? Dez reais pode parecer pouco, mas é de pouco em pouco que se constrói muito”, diz Ana Darla.

  • Imediatismo

Boa parte das pessoas têm uma necessidade muito grande de viver no agora, buscando conforto e entorpecimento. Esse tipo de consumidor não pensa em suas metas, porque, para alcançá-las, é preciso paciência. 

“Hoje as pessoas estão tão ansiosas que precisam fazer algo e ter um retorno imediato. Quanto mais ansioso, mais necessidade eu tenho de realizar o que eu quero e mais eu me endivido”, analisa a psicóloga.

Em dezembro de 2019, o Brasil apresentou o maior índice de famílias devedoras desde 2010, com 65,6% da população inadimplente, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse é o reflexo de uma série de tomadas de decisões feitas “como se não houvesse amanhã”. 

Para realizar metas, é preciso ter equilíbrio emocional

Como percebemos ao longo do artigo, a falta de um equilíbrio emocional dificulta a realização das metas, pois tira o nosso foco do que realmente importa e dá abertura às decisões impulsivas e imediatistas, além de nos convencer de que merecemos algo de que não precisamos.

O principal desafio para quem quer cumprir suas metas pessoais é controlar os impulsos de compra e seguir a risca seus planejamentos financeiros. Por isso ter saúde financeira é tão importante. Trata-se, na verdade, de ressignificar sua relação com o dinheiro e aprender a utilizá-lo a seu favor.