Saiba como identificar gastos supérfluos e essenciais

Por admin

Ao estudar e buscar saúde financeira pessoal, a primeira coisa que ouvimos é que é preciso saber identificar e cortar gastos não essenciais. Parece simples, mas é justamente nesta tarefa que muitas pessoas falham. Afinal, em 2020, cerca de 50% das famílias brasileiras iniciaram o ano endividadas, segundo levantamento realizado pela Kantar, consultoria especializada em pesquisas de mercado. 

Em 2018, um estudo encomendado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) questionou aos brasileiros se eles conseguem resistir a promoções. Quase metade dos entrevistados, 45%, disse que “nunca, ou somente às vezes” consegue resistir às promoções e comprar apenas aquilo que está planejado. Ou seja, falham na hora de elencar o que é essencial e sucumbem a gastos supérfluos.

Contas básicas

Ainda de acordo com a SPC Brasil e a CNDL, 41% dos brasileiros endividados tinham pouco ou nenhum conhecimento sobre suas contas básicas em 2017. Naquele ano, 59% dos inadimplentes ouvidos pela pesquisa da SPC disseram ter pouco conhecimento sobre os valores dos produtos e serviços comprados no crédito e 45% sequer sabiam quais eram eles.

“As contas básicas são justamente os gastos fixos, compromissos mensais e com valores normalmente pré-definidos como contas de água e luz, telefone, plano de saúde, aluguel, condomínio, parcelas do carro e escola dos filhos”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. Segundo ela, essas são despesas difíceis de serem reduzidas e, portanto, mais sensíveis a possíveis imprevistos

“Dessa forma, é extremamente importante que o consumidor tenha controle sobre suas próprias contas e conheça o tamanho do próprio bolso”, afirma Kawauti, ao dar dicar de saúde financeira pessoal.

Como classificar seus gastos

Identificar gastos essenciais é uma tarefa difícil pois depende das condições e do estilo de vida de cada um. Para uma pessoa que complementa a renda trabalhando como motorista de aplicativo, por exemplo, ter um carro mais novo não é, necessariamente, supérfluo. Enquanto instrumento de trabalho (e fonte de renda) esse veículo assume um caráter essencial. Em outras circunstâncias, contudo, manter um veículo próprio pode ser bastante dispensável.

Uma dica simples e prática é fazer três perguntas a si mesmo: 

 

  • Esse serviço ou produto fará falta caso seja cancelado? 
  • Existem alternativas mais baratas?
  • É possível viver sem esse item?

 

Produtos e serviços que farão falta caso deixem de ser consumidos podem ser classificados como essenciais. É quase impossível viver sem consumir energia elétrica, sem pagar uma moradia e sem comprar alimentos, por exemplo. Esses são essenciais.

Nos demais casos, quando é possível viver sem determinado bem ou serviço, pode se tratar tanto de um item necessário (mas não essencial) quanto de um item supérfluo e, portanto, dispensável. A principal diferença entre essas duas categorias de gastos está no próprio nome: necessidade. Os gastos necessários, embora não sejam essenciais, farão falta e significarão queda de qualidade de vida sem inviabilizar sua sobrevivência.

Confira a seguir uma lista com exemplos de gastos essenciais, necessários e supérfluos:

Gastos essenciais:

Inclui moradia (aluguel, contas de água, luz, telefone, internet, condomínio, gás), alimentação básica, transporte, seguros, saúde, higiene, impostos.

Gastos necessários:

Carro particular, clube, academia, educação privada, diarista, assinaturas.

Gastos supérfluos

Roupas, artigos de luxo, vinhos e bebidas alcoólicas, cigarros, alimentação fora de casa, viagens, tratamentos estéticos, cosméticos, jogos.

É possível economizar com gastos essenciais?

Apesar do nome, os gastos essenciais não são imunes a uma revisão financeira. Os custos com moradia, incluindo água, luz e gás, embora sejam custos inerentes da vida cotidiana, podem e devem ser controlados. Banhos demorados, vazamentos e outros pequenos problemas que encarecem suas contas mensais podem parecer pequenos isoladamente, mas, acumulados, podem estar drenando suas finanças.

O mesmo serve para o custo com aluguel. É natural que os contratos sofram reajustes anuais, mas isso não significa que o mercado imobiliário esteja caminhando no mesmo sentido. Acompanhe as variações dos aluguéis de imóveis próximos de onde você mora e busque renegociar o valor cobrado pelo seu locador nos momentos de baixa. O custo com aluguel costuma representar boa parte de um orçamento e pode ser uma excelente economia.

Repensando o padrão de vida

Ter saúde financeira significa chegar a um equilíbrio que permita a você pagar suas despesas essenciais, poupar para o futuro, realizar alguns planos e ter momentos de lazer e alegria. Por isso, o corte de gastos deve ser avaliado individualmente. Ninguém melhor o do que você mesmo para apontar o que é importante na sua vida. 

Segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, as despesas de consumo, que incluem habitação, alimentação e transportes, representam 92,6% do orçamento de famílias com renda de até 2 salários mínimos – percentual que cai para 66,3% entre as com renda acima de 25 salários mínimos.

A depender do nível de renda de cada um, deixar de comprar um vinho toda semana ou de frequentar um restaurante pode ser uma economia considerável ou não. Por isso é preciso reavaliar de tempos em tempos se o seu padrão de vida está de acordo com sua renda. 

  • Investir na educação dos filhos é realmente importante, mas eles precisam estudar na escola mais cara da cidade

 

  • Ficar sem carro pode não ser uma opção, mas por que não pensar em modelos alternativos, com menor consumo de gasolina e seguros mais baratos, por exemplo? 

 

 

  • Morar com conforto e segurança é algo essencial, mas não seria possível optar com um apartamento menos luxuoso e com o condomínio mais barato?

 

Nesse processo, é preciso ter em mente que o lazer não é um gasto supérfluo. O seu orçamento, contudo, deve se adequar à realidade financeira que você vive sem extrapolar seus limites. Em tempos de maior aperto econômico, é importante buscar alternativas mais baratas, como passeios a céu aberto e eventos gratuitos.

Cuidado na hora de ir às compras

Os gastos supérfluos, por sua vez, são os primeiros que devem ser cortados em caso de um orçamento desequilibrado. Nesse processo, o autoconhecimento é essencial, pois é ele quem vai revelar se você realmente “precisa” daquilo ou apenas “gostaria” de ter. No caso da segunda opção, é preciso resistir à tentação.

Segundo o SPC, os produtos mais frequentemente adquiridos por impulso são do setor de alimentação e o local mais usual para a compra de itens desse segmento é o supermercado – 84,5% dos entrevistados pela instituição afirmaram ceder às compras por impulso nesses locais.  

“A compra de alimentos e bebidas, principalmente no supermercado, está quase sempre relacionada com valores financeiros menores e uma maior frequência de compras pelas necessidades do dia a dia. Isso impacta diretamente na hora da compra impulsiva”, explica o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli. 

Segundo ele, o ideal é ter objetivos claros e ir às compras sabendo o que se quer para evitar aquisições desnecessárias. “Ao final de um mês, por exemplo, o percentual da renda comprometido com as compras desnecessárias pode vir a ser relevante, desequilibrar as finanças e extrapolar o orçamento.”, alerta o educador financeiro.