Taxa de juros real: o que é e como influencia no seu dinheiro

Por admin

Se um determinado investimento promete a você 10% de rendimento ao mês, é natural pensar que num período de 30 dias seu dinheiro terá valorizado 10% a mais, correto? Essa é uma ideia muito comum, mas equivocada.

Para saber o quanto seu dinheiro vai realmente valorizar é preciso levar em conta a inflação deste período. A diferença entre o rendimento prometido e a inflação é a chamada taxa de juros real. É ela é que vai apontar quanto o seu dinheiro pode render.

No caso acima, se a inflação do período fosse também de 10%, você não teria ganho real algum. O seu rendimento seria totalmente comido pela inflação. Sua taxa de juros real seria igual a zero.

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Por isso, apesar de ao final do mês seu dinheiro ter aumentado, ele compraria as mesmas coisas que comprava há 30 dias, porque a inflação foi a mesma do seu rendimento e o seu ganho real nulo.

Antes de sair investindo por aí, é preciso ter claro alguns alguns conceitos básicos. Juro é o que se cobra quando se empresta dinheiro, é o rendimento de uma quantia durante um período do tempo. A inflação é o processo de aumento de preços em uma economia. Ou, olhando por outro lado, é a desvalorização do dinheiro ao longo do tempo.

Juros e inflação têm efeitos parecidos sobre o dinheiro, mas com sentidos opostos: o primeiro é rendimento, o segundo desvalorização. Portanto, é fundamental considerar a inflação na hora de avaliar uma taxa de juros. Contabilizar quanto do rendimento a inflação vai corroer.

Taxa de Juros Real x Taxa Nominal x Taxa Selic

A taxa nominal é a taxa contratada, aquela divulgada pelas instituições financeiras quando você faz um investimento ou assume uma dívida sem considerar os efeitos da inflação.

A taxa de juros real representa o valor da nominal menos a inflação. É quanto um investimento rende acima da inflação.

A taxa básica de juros também é conhecida como taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação de Custódia). Ela é um  instrumento de política monetária para incentivar ou controlar o crescimento econômico, o que impacta diretamente na inflação. Quem determina o valor das taxas é o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne a cada 45 dias, para definir
metas para a taxa básica de juros no próximo período.

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A taxa Selic influencia diversos índices do mercado financeiro, como Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ele é o termômetro oficial da inflação e o que deve ser levado em conta na hora de procurar um investimento rentável.

O IPCA é calculado todo mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Vitória, além de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília. Apesar de não ser medido em todo o país, o índice é de abrangência nacional e vale para todas as regiões e cidades.

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Quando o Banco Central aumenta a taxa básica de juros, a inflação vai na direção contrária e diminui. A medida é usada para frear a economia. Já, se a taxa de juros cai, a inflação aumenta. Essa ação é feita para fazer a economia do país crescer.

Um exemplo prático: quando a Selic aumenta e o acesso ao dinheiro – crédito, empréstimos, financiamentos – fica menor, o consumidor para de fazer grandes gastos. No longo prazo, essa estratégia controla a inflação porque gera menor demanda e, consequentemente, oferta mais barata. Sem moeda circulando, o crescimento é freado.

Como já deu pra notar, é extremamente importante conhecer a taxa de juros real do investimento antes de tomar uma decisão. Isso porque, se você não levar em consideração a inflação, pode acabar efetivamente perdendo dinheiro, como já ocorreu com a poupança em diversas ocasiões. 

Além da inflação, é preciso levar em conta outras taxas e impostos que podem incidir sobre seus ganhos. Existem, por exemplo, opções isentas de IR. 

Como estão as taxas hoje e o que esperar de 2020?

Estar atento ainda aos índices econômicos é indispensável para fazer o seu dinheiro render mais. Quem já está se programando financiamento para o ano que vem, já pode ter uma estimativa do cenário futuro.

Na última reunião do Copom, realizada no dia 30 de outubro, ficou decidido baixar a taxa Selic de 5,5% para 5%. A próxima reunião será nos dias 10 e 11 de dezembro, e será a última do ano, quando a expectativa é que a taxa caia para 4,5%, para estimular a retomada da economia, que continua estagnada. Para o fim de 2020, os economistas apostam em mais corte, terminando em 4,25% ao ano.

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Na direção contrária, espera-se um ligeiro aumento do IPCA, que hoje está em 2,6 no acumulado ano, e 2,54 nos último 12 meses. De acordo com o Boletim Focus, divulgado no dia 18 de novembro, a inflação deve encerrar 2019 em 3,33%, acima dos 3,31% previstos anteriormente.

Apesar da elevação, a expectativa segue abaixo da meta central, de 4,25%. Para 2020, o mercado manteve a previsão em 3,60%. A projeção também está abaixo da meta para o ano que vem, que é de 4%.

Se você já começou a sondar investimentos para fazer em 2020, não deixe de levar em conta que a tendência é tentar impulsionar a economia, influenciando assim no aumento da inflação do país.