Taxa Selic: histórico e evolução dos juros no Brasil

Por Redação Onze

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Taxa Selic: histórico de oscilações

Também conhecida como a taxa básica de juros do Brasil, a Selic é um forte indicador da economia. Nos moldes como é aplicada hoje, ela foi criada em 5 de março de 1999, em substituição à Taxa Básica do Banco Central (TBC).

Definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom), órgão vinculado ao Banco Central, ela serve para nortear as demais taxas de juros adotadas em território nacional. 

Na prática, isso significa que a Selic influencia a quantidade de dinheiro circulando na economia, além de aspectos como o retorno de alguns investimentos e os juros pagos na contratação de um financiamento.

Ou seja, impacta o dia a dia das instituições financeiras e também da população, como um todo, já que acaba regulando o acesso ao crédito e incentivando ou retraindo o consumo. Podemos dizer que a taxa Selic funciona como um termômetro, que acompanha o momento vivido pela economia nacional.

Não por acaso, é marcada por altos e baixos, que são expressos nos números apresentados no próximo tópico e nos exemplos registrados ao longo do artigo, que conectam dados e realidade.

Conheça o histórico da taxa Selic

Em 1999, a taxa acumulada da Selic – representada pela soma das variações registradas ao longo de um ano – ficou em 23,02%. A meta definida pelo Copom para aquele ano, porém, chegou ao patamar de 45% em março, em uma tentativa de conter a pressão inflacionária e a alta nos preços, como mostra esta notícia produzida pela Folha de São Paulo na época.

Para falar do outro extremo, vivido hoje, a meta da Selic para 2020 está em 3% (dado de junho de 2020), o menor valor da série histórica. Mas isso não significa, necessariamente, uma economia sob controle. Nesse caso, trata-se de uma estratégia governamental para proporcionar às empresas e à população, em geral, acesso mais barato ao crédito.

O objetivo da prática de corte na taxa Selic, que vem ocorrendo desde julho de 2019, é gerar um aquecimento na economia. Em fevereiro de 2020, durante o primeiro encontro do Copom do ano, o Banco Central chegou a sinalizar o fim do ciclo de cortes, com a queda da meta de 4,5% para 4,25%.

Você pode se perguntar, então, o que mudou para chegarmos aos 3%. A resposta se concentra, sobretudo, na chegada imprevisível da pandemia da Covid-19.

Evolução da taxa Selic

Quando comparamos a taxa Selic atual com os números apresentados desde 1999, fica fácil perceber que as oscilações foram intensas ao longo das últimas duas décadas. Na lista a seguir, confira os valores da taxa Selic acumulada. Os dados são da Receita Federal.

  • 2000 – 16,19%
  • 2001 – 16,08%
  • 2002 – 19,1%
  • 2003 – 21,16%
  • 2004 – 15,14%
  • 2005 – 17,56%
  • 2010 – 9,27%
  • 2015 – 12,54%
  • 2016 – 13,2%
  • 2017 – 7,4%
  • 2018 – 6,5%
  • 2019 – 5,79%.

Impactos da taxa Selic alta

Alguns exemplos ajudam a entender como funciona, na prática, a relação entre as oscilações da taxa básica de juros e a rentabilidade dos investimentos vinculados à Selic. É o caso que mostramos a seguir.

Em manchete de 13 de julho de 2016, a InfoMoney anunciava que “quem investiu no Tesouro Direto no início daquele ano ganhou 35%”, em uma referência aos investimentos no Tesouro IPCA+ que foram feitos na época com vencimento para 2035.

Além disso, o texto destaca que o investidor mais conservador podia aplicar no Tesouro Selic, “um título que conta com sua variação atrelada à taxa básica de juros, que, atualmente, se encontra em 14,25% ao ano”.

Impactos da taxa Selic baixa

Já o cenário atual, de taxa Selic em baixa, torna favorável a tomada de crédito, e um dos setores mais beneficiados é o imobiliário.

Para quem deseja adquirir um imóvel, o momento é propício para conseguir financiamentos mais baratos. Muitos bancos têm, inclusive, revisado as próprias cobranças e oferecido vantagens, como confirmou o jornal O Globo em matéria recente.

Em 2019, com a Selic já em baixa, a portabilidade de crédito imobiliário chegou a crescer em 200%, como mostrou o portal G1 a partir de dados do Banco Central.

Já ao investir, a Selic baixa torna as aplicações de renda fixa menos atrativas. Como exemplo, veja a poupança, que é o pior investimento em termos de rentabilidade e, hoje, paga apenas 2,1% de juros ao ano.

Então, a dica é estar sempre de olho na flutuação da taxa básica de juros para tomar decisões que impactam o seu dinheiro. Quer uma dica para facilitar essa missão? Acompanhe as novidades do blog da Onze e tenha acesso a conteúdos exclusivos!