ADR: O que é e como funciona

Por Redação Onze

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ADR: O que é

ADR é a sigla do termo em inglês American Depositary Receipt, recibos emitidos nos Estados Unidos com o objetivo de fazer com que empresas estrangeiras possam negociar ações nas bolsas de valores locais, como a Bolsa de Nova York.

Esse instrumento foi criado há 90 anos, nos Estados Unidos, para que investidores pudessem comprar ações  no exterior. O ADR facilitou o acesso de estrangeiros nas bolsas de ações norte-americanas pois trata-se de um certificado negociado, diretamente com as bolsas americanas, representando uma ou mais ações de empresas estrangeiras.

Além disso, o ADR é a versão americana do Global Depositary Receipts (GDRs), uma forma de investimento que existe em bolsas do mundo inteiro. No Brasil, os investidores trabalham com o BDR (Brazilian Depositary Receipts), que trazem empresas estrangeiras para serem negociadas na B3.

Assim, o ADR surgiu para suprir a necessidade dos investidores estadunidenses, que devido a uma série de burocracias e dificuldades, não conseguiam realizar rápidas operações com moedas diferentes.

ADR: Como funciona

Agora que você já sabe o que e ADR, entenda como ele funciona. Os ADRs são comprados e vendidos no mercado dos Estados Unidos, semelhante a outros títulos cujas operações são feitas por bancos ou corretoras. Mas a diferença é que eles são exclusivamente direcionados a empresas de outros países.

Assim, os bancos americanos compram grandes lotes de ações das empresas e as agrupam na New York Stock Exchange (NYSE), American Stock Exchange (AMEX) e na Nasdaq. Em contrapartida, a empresa estrangeira fornece informações financeiras detalhadas para o banco.

Ou seja, no país de origem da empresa estrangeira, um banco compra papéis (novos ou em circulação) e fica responsável pela sua custódia. Já nos EUA, outra instituição financeira emite os recibos de tais papéis e os comercializa em mercado de balcão ou em bolsa de valores.

Os bancos americanos que emitem os ADRs são chamados de depositários. Após definir a proporção de ADRs nos EUA por ação do país de origem, eles podem estabelecer um preço alto, que pode ser alto o suficiente para montar um ADR de valor substancial. Todavia, o valor acessível torna o investimento mais acessível.

Portanto, os valores dos títulos podem variar entre US$ 10 e US$ 100 por ação. Contudo, se no país de origem da empresa as ações apresentam preço baixo, cada um dos ADR representa várias ações.

Processo para criação do ADR

E vale completar que não são apenas empresas dos Estados Unidos que podem investir em empresas estrangeiras. Com o Home Broker, é possível que investidores façam esse procedimento.

Então, o processo de criação da ADR é o seguinte:

  • Compra inicial de ações de uma empresa do seu país, sejam elas já existentes ou recém emitidas, por um banco nacional;
  • Uma instituição financeira nos EUA compra uma grande quantidade dessas ações dos bancos nacionais;
  • Após isso, as ações são agrupadas em lotes, nos quais cada um se transforma em um título, o ADR;
  • Posteriormente, os papéis dessas empresas podem ser transacionados no mercado norte-americano através de uma instituição financeira;
  • Os papéis ficam sob custódia para intermediar e circular os recibos das empresas;
  • E finalizando, nos Estados Unidos, outra instituição financeira emite os recibos das ações e os vende na bolsa de valores.

Saiba mais como investir no exterior morando no Brasil.

Tipos de ADR

Na prática, existem três tipos diferentes de ADR e cada uma tem a sua própria forma de atuação. Veja abaixo:

ADR nível 1

O tipo mais básico de ADR. Nele, não há a necessidade das empresas estrangeiras informarem sobre suas finanças. Aqui, os títulos são negociados no mercado de balcão e a empresa não precisa lançar novas ações no mercado.

ADR nível 2

Já o ADR tipo 2 apresenta mais exigências, como a necessidade de a empresa divulgar suas informações financeiras ao banco depositário. Em contrapartida, esse tipo de ADR costuma ter mais negociações do que o tipo anterior.

Sua negociação é realizada em bolsa de valores e a empresa não é obrigada a lançar novas ações no mercado financeiro.

ADR nível 3

É o mais prestigiado de todos pois a empresa precisa lançar novas ações no mercado por meio de uma oferta pública na bolsa de valores. Assim, há o potencial de levantar capital e conquistar uma maior visibilidade nos mercados de bolsa dos Estados Unidos.

Por que investir em ADR?

O investimento em ADRs pode trazer vantagens que beneficiam tanto os investidores americanos quanto às próprias empresas. Entre as principais estão:

Vantagens para o investidor

  • Pode investir em empresas estrangeiras dentro do próprio país;
  • Não precisa converter sua moeda ou enviar dinheiro para o exterior;
  • Maior segurança jurídica;
  • Menor custo e burocracia para investir do exterior;
  • Oportunidade de diversificação em ativos internacionais.

Vantagens para as empresas

  • Entrada mais facilitada no maior mercado financeiro do mundo, os Estados Unidos;
  • Maior possibilidade de captação de recursos;
  • Aumento na liquidez e no volume de negociação das suas ações.

Como investir em ADR

Para investir no ADR, o investidor tem três opções: BDRs, S&P500 ou o dólar norte-americano. Confira a seguir um pouco mais de detalhes sobre cada alternativa:

BDRs

São os recibos depositários brasileiros, que funcionam de forma semelhante ao ADR. Mas nem sempre eles têm um alto volume para negociação, então é preciso avaliar bem se vale a pena seguir essa opção.

S&P500

Abreviatura de Standard & Poors 500, esse índice é composto pelas 500 maiores empresas dos Estados Unidos. O funcionamento é semelhante ao Índice Ibovespa e por isso pode ser negociado por meio de contratos futuros.

Dólar

O dólar, que atualmente está em alta, é uma referência para negociação, impactando em diversos produtos do nosso dia a dia. Por isso, é possível investir no dólar comprando contratos futuros na Bolsa de Valores.

ADR X BDR: Qual a diferença?

As BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são valores mobiliários representativos de empresas no exterior que, na prática, funcionam como se fossem ações de empresas de outros países negociadas dentro do mercado brasileiro.

Por causa das BDRs, agora muitas pessoas têm a oportunidade de investir em algumas multinacionais que não são negociadas no Brasil, como Apple e Google.

E os ADRs são praticamente o inverso das BDRs, pois os direitos representativos de valores mobiliários de empresas norte-americanas não se situam nos Estados Unidos.

Assim, por meio de uma instituição financeira confidente nos Estados Unidos, esses valores mobiliários podem ser negociados dentro de corretoras de valores situadas no mercado de valores mobiliários americanos.

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