Como implementar um plano de cargos e salários na sua empresa

Por Redação Onze

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O plano de cargos e salários é uma ferramenta importante que as empresas dispõem para traçar as atribuições e remunerações de cada cargo, assim como as possibilidades de evolução de um funcionário dentro da companhia.

Com a implementação do plano de cargos e salários, o profissional tem uma motivação maior para desempenhar o seu trabalho porque pode ter expectativas concretas sobre quais são as possibilidades de promoção e progressão na carreira, além de ter uma melhor noção da estabilidade que a empresa proporciona.

Além de beneficiar o trabalhador com uma melhor perspectiva de carreira, o plano de cargos e salários beneficia também a empresa porque, com a motivação dada ao funcionário, é esperada uma maior dedicação ao trabalho e, de forma geral, uma maior produtividade e comprometimento com seu trabalho.

O que é um plano de cargos e salários?

O plano de cargos e salários é a forma como a empresa organiza as funções e as remunerações de seus funcionários de acordo com a atividade que exercem e a forma como mapeiam as possibilidades de evolução do profissional dentro da empresa.

Para fazer isso, a empresa cria uma estrutura de cargos e funções e estabelece regras e parâmetros para diferenciar os cargos e as remunerações que os profissionais recebem.

Dessa forma, um profissional de nível operacional, como por exemplo um auxiliar de escritório, tem as suas atribuições e sua remuneração especificadas de acordo com a importância e o nível de especialização de sua função.

Ele receberá, portanto, um salário compatível com essa função, que será consideravelmente menor que a de um executivo, por exemplo, já que este é responsável por decidir questões estratégicas da empresa e tem um nível maior de especialização.

Além disso, o plano de cargos e salários estabelece critérios para promoção, progressão dentro de um determinado cargo, assim como um mapa da carreira e os benefícios que podem ser recebidos.

Para Marcelo Samogin, diretor da empresa Remunerar, consultoria especializada em projetos de remuneração e meritocracia, o plano de cargos e salários é importante para classificar os cargos de acordo com o nível de senioridade, seja em função do tempo de empresa ou em função das competências que o profissional domina.

Alguns termos comuns quando falamos de plano de cargos e salários são:

Promoção

Quando o profissional consegue ocupar um cargo com atribuições diferentes, melhor remuneração e, geralmente, com maiores responsabilidades, em função de seu bom desempenho profissional.

Na promoção, há um salto vertical significativo, com o funcionário passando de um cargo operacional, por exemplo, como vendedor, para um cargo de gerente de uma loja, com uma mudança relevante nas suas atribuições.

Progressão

A progressão profissional está relacionada a uma melhora na remuneração e nas atribuições do profissional.

Um advogado que iniciou a carreira em um escritório como júnior, por exemplo, com o tempo pode passar para o posto de advogado pleno, ganhando um maior salário e passando a ter maiores responsabilidades.

Com o tempo, ele pode chegar a advogado sênior ou mesmo se tornar sócio do escritório, sendo que cada segmento possui suas especificidades em relação à progressão nos cargos.

Mas é possível também que uma pessoa ganhe aumentos salariais sem necessariamente mudar de encargo. Podem ser aumentos por tempo de casa, por boa avaliação ou outros critérios definidos pela própria empresa

Mapa de carreira

O mapa de carreira é um elemento importante do plano de cargos e salários porque mostra ao funcionário, a partir da sua ocupação atual, quais as possibilidades que ele tem de progressão dentro da empresa.

O mapa de carreira possibilita uma maior transparência em relação aos critérios e às perspectivas de evolução dentro da empresa, garantindo uma motivação maior ao funcionário caso ele pretenda trilhar sua carreira dentro da companhia.

Benefícios

A questão dos benefícios está relacionada a bonificações adicionais que o funcionário pode obter de acordo com o seu desempenho ou em função do cargo que ocupa. Exemplo de benefícios é a participação nos lucros e resultados, quando o funcionário recebe uma parte dos lucros que a empresa obteve em determinado período.

Além disso, existem bonificações atreladas ao desempenho, ou seja, remunerações adicionais que são concedidas caso o funcionário alcance determinada meta que foi estabelecida anteriormente.

Por que fazer um plano de cargos e salários

Além de representar um incentivo importante para que os funcionários se dediquem mais às suas funções, o plano de cargos e salários também favorece a empresa de outras formas.

Uma dessas formas é uma melhoria significativa no ambiente organizacional, com a perspectiva de uma maior retenção de talentos e de um ambiente de trabalho mais harmônico na medida em que os profissionais ficam mais satisfeitos e focados em suas atividades quando há a perspectiva de ganhos e de evolução na empresa.

Além disso, o risco de sofrer processos trabalhistas é diminuído consideravelmente, já que o plano de cargos e salários oferece uma maior transparência em relação às funções, benefícios e remunerações as quais os profissionais têm direito – e evita que existam disparidades entre salários de profissionais que realizam uma mesma função.

A menor rotatividade de pessoal também é benéfica para o empregador porque reduz o custo com contratações e demissões, uma vez que o plano de cargos e salários tende a manter os profissionais por maior tempo dentro da empresa.

Além disso, o especialista considera que organizar cargos e salários é uma maneira de proteger o custo da mão de obra e não deixar que ele impacte demais a operação da empresa.

Isso porque essa organização permite determinar quanto vai custar a operação da empresa e ter um planejamento mais adequado.

Toda empresa deve ter um plano de cargos e salários?

Apesar dos benefícios de implementar um plano de cargos e salários que já foram citados, trata-se de uma decisão estratégica que deve levar em conta diversos fatores. Um dos principais pontos que devem ser considerados é o porte da empresa.

No caso de uma microempresa com cinco funcionários, por exemplo, a implementação desse tipo de plano se torna inviável porque os cargos geralmente são menos especializados e o porte da empresa não permite uma progressão hierárquica já que existe apenas dois níveis fundamentais: o da chefia e o operacional, dos funcionários.

Quando não existem níveis intermediários e as funções não têm um escopo abrangente o suficiente para que novas atribuições possam ser agregadas a elas, não faz sentido criar um plano de cargos e salários.

Outro fator importante a ser levado em conta é o impacto financeiro que essa implementação irá provocar.

Se a empresa não está passando por um bom momento, pode não ser a melhor opção implementar um plano de cargos e salários, sendo mais vantajoso esperar por uma situação mais favorável.

Conceder benefícios automáticos em função de tempo na empresa pode ser perigoso, levando o custo da mão de obra a aumentar consideravelmente sem ter uma contrapartida adequada.

Isso pode criar um grande ônus para a empresa e inclusive criar o risco de falência caso seja feita uma implementação de plano de cargos e salários sem um planejamento adequado.

Como implementar um plano de cargos e salários na sua empresa

Para implementar um plano de cargos e salários, é necessário realizar alguns passos fundamentais:

  1. Fazer uma análise extensa da empresa

Para traçar um plano de cargos e salário, é fundamental que seja feita uma avaliação do ramo da empresa, das hierarquias existentes, dos aspectos estratégicos e de demais características importantes na relação entre os funcionários e a companhia.

  1. Conhecer, classificar e atualizar cargos

Após compreender os aspectos principais da empresa, tarefa realizada no primeiro passo, torna-se necessário fazer um levantamento de cada cargo e função desempenhados dentro da empresa.

Além de servir para criar um descrição detalhada de cada cargo, essa etapa também tem como objetivo principal realizar uma padronização das funções, estabelecendo de forma específica quais são as atribuições e as responsabilidades de cada funcionário de maneira transparente.

Por fim, é necessário classificá-los em função de sua importância, estabelecendo uma hierarquia entre os cargos, além de atualizar as atribuições em função de eventuais mudanças por causa de inovações ou de novas competências desenvolvidas em determinada área de conhecimento.

  1. Divulgação e transparência

A divulgação da implementação de um plano de cargos e salários é fundamental, pois assim fica garantida uma maior participação dos funcionários e uma maior transparência na medida em que são divulgados os critérios empregados.

É importante que seja realizada uma discussão ampla dentro da empresa, incluindo a participação dos funcionários e garantindo que todas as eventuais dúvidas que eles tenham sejam respondidas de forma satisfatória, já que desentendimentos em relação às regras podem gerar um clima de instabilidade.

  1. Descrição dos cargos e suas atribuições

Após serem levantadas todas as funções exercidas na empresa, torna-se necessário criar uma descrição específica de cada cargo, detalhando qual é atividade realizada, qual o objetivo daquela função, a quem o funcionário responde, qual a sua posição na hierarquia geral da empresa, etc.

A descrição do cargo também precisa compreender aspectos como a formação necessária para exercer a função e as competências principais que o profissional precisa ter.

  1. Pesquisa de remuneração

Feita a descrição dos cargos, o próximo passo é atribuir a remuneração adequada para cada função. Para que um plano de cargos e salários tenha sucesso, esse passo é fundamental para estabelecer valores compatíveis com o mercado e com o tamanho da empresa.

Devem ser estabelecidos valores para cada cargo, assim como as possibilidades de progressão em termos de remuneração de acordo com o desempenho do funcionário.

Um dos objetivos fundamentais da implementação é alcançar um equilíbrio interno e externo dos cargos em relação às tarefas executadas.

Ou seja, o plano de cargos e salários deve criar cargos uniformizados com as mesmas remunerações, evitando que profissionais que fazem as mesmas tarefas ganhem salários distintos, o que pode levar a uma insatisfação do profissional.

E quando existem diferenças salariais, o plano de cargos e salários deve conseguir apontar, de forma clara e objetiva, que existem fatores importantes para embasar essa diferença, como as responsabilidades do cargo, a sua produtividade, os conhecimentos e a experiência requeridos para exercer aquela função, dentre outros fatores.

Para Samogin, é importante proteger os profissionais com maior senioridade, aqueles que dominam a função que exercem e geralmente têm mais tempo de casa, dando a eles incentivos para continuar na empresa, como uma remuneração acima do praticado pelo mercado.

  1. Criação de novas formas de remuneração

A implementação de um plano de cargos e salários permite que a empresa também coloque em prática outras formas de remuneração, como a participação nos lucros e resultados, remuneração adicional caso o funcionário faça uma especialização, dentre outras.

Para Samogin, a questão dos benefícios é importante para reter talentos.

“As multinacionais, por exemplo, nunca tiveram os melhores salários, mas elas têm bons benefícios. É uma estratégia para pagar menos imposto. Se você tira do salário e adiciona a benefícios, acaba tendo uma colcha de proteção contra turnover. Geralmente os funcionários não vão querer sair nunca de uma empresa como Mercedes-Benz, Google, Netflix”, afirma.

  1. Cálculo de custos e benefícios

Com o estabelecimento das faixas salariais, a empresa precisa fazer um levantamento dos custos para colocar em prática o plano de cargos e salários.

Nesse passo, a empresa precisa considerar se tem capacidade de implementação imediata do plano de cargos e salários ou se precisa colocá-lo em prática aos poucos, por etapas, dependendo do custo que o plano terá sobre para o caixa da empresa.

  1. Pesquisas de climas organizacionais

Para Samogin, antes de implementar um plano de cargos e salários é importante fazer uma pesquisa de clima organizacional para abordar quais são os principais fatores de descontentamento.

“Sempre vai aparecer a questão de salário. Algumas empresas acabam evitando fazer essas pesquisas porque não têm coragem de dar uma resposta honesta”, afirma. “Ao pesquisar a opinião de 300 funcionários, por exemplo, você tem que ter a coragem de dar a resposta que surgir”.

  1. Finalização e implementação do plano de cargos e salários

O passo final é a implementação do plano de cargos e salários, estabelecendo todas as regras e critérios do plano e fazendo a divulgação do texto final – inclusive em relação às medidas que serão tomadas para fazer a implementação inicial e garantir a vigência do plano no futuro.

Desafios na implementação de um plano de cargos e salários

Para o especialista em RH Marcelo Samogin, a maior dificuldade na implementação de um plano de cargos e salários é ter uma grade salarial organizada para definir nível de senioridade.

“Se tenho 20 pessoas em uma área, não posso pagar o mesmo salário, embora a lei diga que o mesmo cargo exige o mesmo salário”, afirma.

Segundo ele, com a reforma trabalhista de 2017, já existe um entendimento jurisprudencial de que é possível distinguir as remunerações de acordo com a senioridade dos profissionais, o seu grau de competência e a sua destreza.

Dessa forma, o salário do funcionário passa a não depender apenas do cargo que ele ocupa, podendo receber uma maior remuneração em função do seu nível de eficiência, das competências essenciais que possui e do seu tempo de casa – quando isso reflete um domínio maior das tarefas que precisam ser realizadas e um conhecimento mais abrangente de todos os processos realizados na empresa.

Acompanhando e revisando os planos

A implementação do plano de cargos e salários não coloca um ponto final na questão, já que é necessário acompanhar a implementação do plano e revisá-lo com o passar do tempo.

Em primeiro lugar, a revisão é necessária porque os valores dos salários sofrem mudanças constantes, seja em função da inflação ou de outros aspectos do mercado – como uma maior demanda por profissionais do setor, que tende a aumentar a remuneração, ou a saturação de determinado setor, o que tende a reduzir a remuneração.

Além disso, as atribuições dos cargos tendem a sofrer alterações com o tempo. A tecnologia tem um papel importante nesse aspecto, já que as inovações acabam exigindo que os profissionais se adaptem a elas para continuar a realizar suas funções de forma eficaz.

Como comunicar aos funcionários a implementação do plano

A comunicação do plano de cargos e salários aos funcionários é fundamental para que ele  tenha eficiência, pois de nada adianta implementar uma estrutura que tem como fim beneficiar a empresa e motivar os funcionários sem uma comunicação adequada.

Para fazer essa comunicação, a empresa deve combinar diversos métodos:

  • Reuniões
  • E-mails e outros comunicados
  • Material impresso detalhado
  • Divulgação de regras e valores relacionados ao plano na intranet.

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