Diversidade nas empresas: tudo o que você precisa saber para torná-la realidade

Por Redação Onze

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Nos últimos anos, a diversidade entrou de vez na pauta do mundo corporativo. Apesar disso, ainda temos um longo caminho pela frente. Segundo levantamento da revista Você RH e da consultoria Mais Diversidade, 65% das empresas não possuem estratégia de diversidade e inclusão bem definida.

Felizmente, o mesmo estudo mostrou que investir em ações de diversidade é a meta de 97% das empresas do país para 2021 — o que é um bom sinal. Será que todas elas querem ser politicamente corretas, fazer caridade ou “lacrar” na internet? Nada disso! Muitas organizações já perceberam que ter uma equipe plural é algo necessário para negócios que desejam fugir do óbvio e terem resultados melhores.

Continue a leitura para entender como incorporar a diversidade nas empresas e os benefícios de fazer isso.



O que é diversidade nas empresas?

A resposta pode parecer óbvia, mas antes de responder é importante refletir sobre o assunto.

A sociedade é composta por uma grande multiplicidade de pessoas e, caso não existissem problemas estruturais, seria natural que esses grupos estivessem presentes em todos os espaços sociais, como restaurantes, escolas, universidades, hospitais e empresas.

No entanto, não é isso o que acontece. Vamos ver alguns dados de uma pesquisa feita pelo Opinion Box e pela Revista HSM Management e que entrevistou mais de 2 mil pessoas em 2019:

  • 1 em cada 4 entrevistados afirma que apenas 5% dos colegas de trabalho são negros;
  • 29% das empresas não possuem nenhuma pessoa com deficiência no quadro de funcionários;
  • 44% das empresas não possuem nenhum transexual entre os funcionários;
  • 37% dos profissionais afirmam que já houve algum tipo de descriminação na empresa em que trabalha.

A diversidade nas empresas está relacionada a contratar e incluir talentos com diferentes corpos, experiências e culturas. A organização precisa ter capacidade de agregar essas diferenças, criar um ambiente saudável para que todos os profissionais consigam trabalhar com segurança e iguais oportunidades de crescimento.

Exemplo: se a organização conta com muitos funcionários negros, mas nenhum em cargo de liderança, é necessário refletir sobre o motivo disso acontecer. Da mesma maneira, se os colaboradores com deficiência não possuem infraestrutura de acessibilidade, será que estão incluídos no time?

A diversidade e a inclusão estimadas pelas empresas devem envolver várias características, entre os quais destacamos:

  • etnia;
  • idade;
  • gênero;
  • classe social;
  • crença;
  • religião;
  • orientação sexual;
  • deficiência física;
  • deficiência mental;
  • nacionalidade;
  • formação educacional;
  • ter ou não filhos.

Vale lembrar…

Toda empresa com mais 100 colaboradores precisa reservar de 3 a 5% das contratações para pessoas com deficiência física e mental. Essa é a determinação da Lei Nº 8.213, de 24 de julho de 1991, mais conhecida como Lei de Cotas.

Ainda não existem leis para incentivar a contratação de outros grupos historicamente marginalizados, mas qualquer tipo de discriminação ou preconceito no processo de recrutamento e seleção de candidatos é crime.

Além disso, o artigo 170 da Constituição Federal determina que as atividades econômicas do país devem agir para promover a redução das desigualdades regionais e sociais. Ou seja: contratar pessoas diversas é uma obrigação.

Por que tem se falado tanto em diversidade nas empresas?

A sociedade vive um período de mudanças e a “cobrança” para que as empresas sejam mais inclusivas faz parte desse processo. Isso está acontecendo, entre outros motivos, por conta das lutas dos movimentos, os avanços tecnológicos e a facilidade do acesso à informação.

Antigamente, quando alguém passava por uma situação de discriminação, existia grande chance de ninguém mais ficar sabendo ou da situação ser pouco comentada e não resultar em nada.

Hoje em dia, além da legislação assegurar com mais rigor os direitos dos grupos minoritários, as pessoas estão mais conscientes e é muito mais fácil denunciar episódios de discriminação.

Vídeos e textos denunciando discriminações são comuns e repercutem muito na internet, trazendo várias consequências negativas para o negócio.

Mas não é apenas o medo de ser exposto ou de ter que responder na justiça por ações de discrmininação que motivam as empresas a participarem do debate sobre diversidade. Isso vai ficar mais claro no próximo tópico, onde vamos falar sobre os benefícios que a diversidade e inclusão trazem. Vamos lá?

Principais benefícios da diversidade e inclusão para as empresas

Além de todas as questões éticas e humanas que devem motivar os investimentos em diversidade e inclusão em todos os espaços da sociedade, separamos outros ótimos motivos para fazer isso na sua empresa.

Melhora da produtividade e do bem-estar dos colaboradores

Investir em tecnologia, estruturas, oferecer excelentes salários e benefícios, é essencial, mas não basta para melhorar a produtividade da empresa. Ter diferentes experiências e visões do mundo trabalhando no time impacta (e muito) as suas criações e resultados.

Segundo um estudo da Accenture, equipes diversas são 11 vezes mais inovadoras e têm funcionários 6 vezes mais criativos do que outros times. Outro estudo, da consultoria americana McKinsey, mostra que organizações diversas têm até 33% a mais de chances de serem mais lucrativas do que seus concorrentes.

Um dos motivos que levam ao aumento de produtividade é a sensação de pertencimento e valorização que os colaboradores sentem quando trabalham em ambientes inclusivos. O bem-estar no trabalho é fundamental para manter os funcionários motivados e, consequentemente, mais produtivos.

Mais atração e retenção de talentos

Os candidatos estão mais críticos a ambientes tóxicos e excludentes. Segundo pesquisa feita pela Glassdoor em 2020, 76% dos candidatos consideram a diversidade da empresa na hora de escolher um novo trabalho.

Por isso, investir em diversidade também contribui para que o processo de recrutamento e seleção seja mais efetivo, trazendo os melhores talentos disponíveis no mercado.

Outra vantagem é a retenção de talentos. A organização promove o endomarketing ao investir na qualidade de vida dos colaboradores e oferecer chances igualitárias de crescimento.

E, como você sabe, sucesso na atração e retenção de talentos é uma excelente maneira de melhorar a produtividade e reduzir os custos com processos de recrutamento, seleção e contratação de funcionários.

Mais clientes e negócios

Prezar pela diversidade e inclusão é um diferencial competitivo importante para a permanência e sucesso de uma empresa no mercado.

Uma pesquisa da Accenture Strategy mostrou que 83% dos consumidores brasileiros preferem comprar de marcas alinhadas aos seus valores pessoais.

Os números confirmam o que vemos em movimentos espontâneos nas redes sociais, como o “Se não me vejo, não compro”, que demonstra um desejo das pessoas de apoiar empresas que as façam se sentirem representadas — tanto pelas propagandas quanto pelas pessoas que trabalham na marca.

Além de atrair mais clientes, a pluralidade também abre espaços para parcerias com outras organizações. Afinal, uma marca consciente não quer ter a imagem associada a empresas com valores diferentes.

Não é por acaso que o Sikêra Júnior, apresentador do “Alerta Nacional”, da RedeTV!, perdeu 62 patrocinadores após ter um posicionamento homofóbico em seu programa.

Como fazer processos seletivos mais diversos?

Uma pesquisa da Vagas.com e da Talento Incluir com 3,2 mil candidatos revelou que metade deles já se sentiu prejudicada em processos seletivos por ser de minorias sociais. Ainda segundo o estudo, mulheres, pessoas pretas, pessoas com deficiência e profissionais mais qualificados são os que mais se sentiram em desvantagem.

Para evitar o problema, o cuidado deve começar ainda durante a elaboração da descrição da vaga. Além de evitar falas preconceituosas, é importante deixar claro que a empresa tem o compromisso de ter um ambiente inclusivo e que grupos minoritários são bem-vindos.

Confira outras medidas que podem ser úteis para fazer um processo mais abrangente:

  • repense se o inglês é realmente essencial, apenas 5% da população brasileira domina o inglês (talvez seja possível oferecer bolsas de estudo para que o funcionário aperfeiçoe o idioma);
  • tenha uma equipe de recrutamento e seleção diversa (isso vai deixar os candidatos mais à vontade e a comunicação mais fluida);
  • crie vagas focadas em grupos minorizados para aumentar a diversidade no quadro de funcionários;
  • não faça triagens de currículos considerando número de filhos, instituição de ensino, idade, gênero ou estado civil.

5 dicas para promover um ambiente mais diverso e inclusivo nas empresas

É como a Maite Schneider, fundadora da consultoria Integra Diversidade e especialista em Direitos Humanos, disse em uma palestra para colaboradores da revista Exame: “Diversidade não é um ponto em que a gente chega, mas um caminho que a gente decidiu seguir. É a meta que você escolhe na sua vida e coloca desafios diários”.

Não tem fórmula mágica, mas existem alguns passos básicos, veja:

1. Identifique como está a situação atual

A primeira etapa para resolver o problema é entender qual é a situação atual. Além de observar os perfis que fazem parte da empresa (e os que não fazem), é importante fazer pesquisas de clima para compreender se as diferenças estão sendo respeitadas no ambiente ou se existem grupos sendo excluídos.

2. Treine os colaboradores

Como crescemos em uma sociedade cheia de preconceitos, é comum reproduzir comportamentos errados (mesmo que de forma inconsciente). Por isso, é muito importante oferecer treinamentos sobre diversidade e inclusão para todos os colaboradores.

Esse passo é fundamental para manter a coerência entre o discurso e o que acontece na rotina da empresa.

Do que adianta investir em propagandas com conteúdos educativos sobre diversidade, se os clientes que estão fora do padrão não são bem atendidos quando vão até a empresa?

3. Faça adaptações na comunicação da empresas

Ser uma empresa diversa, envolve uma profunda mudança na cultura organizacional. Um dos pontos que precisa ser adequado é a comunicação interna e externa do negócio. É importante revisar tudo para evitar discursos intolerantes e preconceituosos.

4. Crie um canal para receber denúncias

Os colaboradores precisam ter um lugar seguro para denunciar comportamentos inadequados, como assédio, racismo e discriminação.

Existem várias ferramentas disponíveis para que isso aconteça de forma online, segura e anônima (caso o funcionário assim queira). Ao receber a denúncia, a empresa pode agir rapidamente para evitar que a situação aconteça novamente.

5. Implante um comitê de diversidade e inclusão

Como você já deve ter notado, não é fácil realizar todas as mudanças necessárias para ter uma cultura diversa na empresa. Implantar um comitê de diversidade e inclusão é interessante para que os próprios funcionários possam acompanhar as ações da organização e discutir quais medidas precisam ser tomadas.

O comitê é composto por colaboradores diversos, principalmente dos grupos minorizados, e que atuam em parceria com o setor de Recursos Humanos para realizar as suas ideias.



Precisa de inspiração? Conheça organizações com ambientes diversos e inclusivos

Ser uma empresa diversa e inclusiva não é apenas contratar pessoas de um determinado grupo marginalizado ou mesmo fazer campanhas sobre diversidade em datas específicas.

É preciso ter uma estratégia sólida e uma promoção diária desses valores em todas as ações da empresa. Acompanhe alguns exemplos que selecionamos:

Magazine Luíza

O Magazine Luiza gerou um intenso debate ao lançar o primeiro programa de trainee exclusivo para pessoas negras do Brasil. O objetivo é aumentar a diversidade racial nos cargos de liderança, já que 53% dos mais de 40 mil colaboradores da organização se consideram pretos ou pardos, mas apenas 16% ocupam altas posições.

As ações de promoção à diversidade fazem parte da cultura da empresa e podem ser percebidas no dia a dia. Veja a história contada por Luiza Trajano, proprietária da rede, em entrevista à CNC:

“Temos um programa de capacitação que dura cerca de seis meses e percebemos que muitas mulheres não concluíam o processo porque era muito ruim ficar longe das famílias. Então passamos a realizar os treinamentos em lugares mais próximos para que elas não ficassem muito longe de casa. Só com iniciativas pequenas como essas, conseguimos fazer com que 60% das mulheres chegassem ao nível de gerência.”

Pepsico

A PepsiCo, uma das maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo, promove várias iniciativas de promoção à diversidade. Uma delas é a “He for She”, um movimento global que determina que homens e mulheres tenham a mesma responsabilidade para que se alcance a igualdade de gênero.

A empresa também criou o “Ready to Return”, programa que recruta profissionais que estão há pelo menos dois anos fora do mercado de trabalho. Outro dado que mostra o compromisso da companhia com a inclusão é que cerca de 40% da liderança sênior é composta por mulheres.

Esperamos ter ajudado você a entender que investir em ações de diversidade e inclusão é essencial para criar um ambiente de trabalho produtivo e saudável, além de como colocar o conceito em prática.

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